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A música é sua!

Assisti recentemente ao documentário Oasis: Don't look back in anger  (recomendo!), que trata da turnê de retorno da banda em 2025, após mais de 15 anos inativa por desentendimentos entre os irmãos Gallagher. O bacana desse documentário é que ele traz várias histórias de fãs que, em algum momento da vida, se apropriaram de alguma canção do Oasis e a fizeram como companheira de momentos bons ou difíceis. Eles iam reencontrar seus ídolos em cidades da turnê não como saudosistas ou admiradores apenas, mas como cúmplices desses artistas, porque agora as músicas também eram deles. A película mostra o que todos sabemos, seja como público ou compositores: a música depois de criada continua tendo autor, mas não tem mais dono. Ela passa a ser de todos e de qualquer um que com ela se identifique e lhe agregue o significado da sua própria experiência, de seus sentimentos e do sentido que lhe seja mais pessoal. A música é sua! Muitos compositores de renome afirmam existir uma certa magia, ou a...

Sonhei que me apaixonei por outra igual a você

Esta noite sonhei que você era outra, igual a você Por quem eu logo me apaixonei, mas me preocupei Porque para mim estava traindo você, a original E cheguei a dizer pra outra, que era igual Que eu já tinha você e não queria te magoar E foi ficando difícil saber com quem eu ia ficar Se com você ou a outra que apareceu tão igual  Só que no sonho você não estava, só a outra você Foi aí que eu acordei sem saber como foi, afinal Se fiquei com você ou com a outra que era igual Por quem me apaixonei, talvez porque a outra era igual a você...

A baleia

Hoje, 05/09, eu vi uma baleia. E mesmo longe, da janela do apartamento, dava pra ver como era imensa. Fiquei imaginando um animal descomunal desses, atravessando oceanos de um hemisfério a outro, conhecedor das profundezas marinhas como nunca saberemos, que pode viver 200 anos sempre em movimento lento e total liberdade. O ser humano é quase insignificante se comparado a uma baleia. O que nos salva é o nosso coletivo, a razão e o poder de nossa técnica. Mas diante de uma baleia, em seu habitat e sem esses atributos - que nos fazem o maior predador da natureza -, um único homem é apenas a pequena criatura que por milênios fez o que pôde para sobreviver neste planeta.

A derrota para o tempo

Há vitórias que dependem totalmente de uma única oportunidade. Numa copa do mundo, a vitória tem que ser conquistada na duração de uma partida, porque depois que ela acaba o jogo está ganho ou perdido, irremediavelmente. Muitas vezes, aliás, uma equipe mais fraca joga por uma bola contra a seleção favorita, reduzindo ainda mais a sua oportunidade a um único lance. E para quem perde, fica o gosto amargo da derrota não apenas para o placar, mas sobretudo para o tempo e as dúvidas inerentes à imprevisibilidade do futuro. Será que ainda conseguirá jogar em alto nível para ser convocado daqui a quatro anos? Ainda terá idade e força? Será que se classificarão para o mundial? Será que estarão melhores? Enfim, pra quem perde fica a incerteza sobre a possibilidade de uma nova chance futura. E se essa nova chance não vier é porque você perdeu então a sua oportunidade de ser campeão, passando para a história como um perdedor por seu país. Claro que há derrotas tão dignas como vitórias, assim como...

E o shape mental?

Os tempos são outros mesmo. O culto à saúde e ao corpo parece ter conquistado de vez os hábitos da maioria dos jovens brasileiros. Essa galera dos vinte e poucos anos que já não sai mais à noite, nem aos sábados!, para acordar cedo e treinar ou competir. Que não bebe mais com amigos, nem vai pro bar ou pra balada flertar ou conhecer outras pessoas. Sexo?, também parece não ser mais prioridade, nem para os solteiros nem para os comprometidos nessa idade. O negócio agora é ser fit , cuidar da alimentação e ter o físico em condições de ser exposto nas redes sociais, ou apenas para se engajar. Outros até radicalizam se tornando body builders , treinando e correndo maratonas ou fazendo triatlo. Rotinas rigorosas de atletas pra quem não é, mas quer parecer que é, ou ter atitude como tal. Enfim, eu fico olhando pra essa galera toda e pensando se, com tanta dedicação ao corpo, sobra algum tempo para atender as necessidades (e prazeres) mentais de cultura, conhecimento, boa informação e erudiçã...

Oscar

Na minha época de colégio pratiquei muitos esportes, que vinham em fases, muitas vezes por influência daquilo o que a seleção brasileira da respectiva modalidade esportiva conquistava e contagiava toda a nação. Foi assim com o futebol nas copas do mundo de 82, 86 e 90, em que, mesmo perdendo, tínhamos grandes ídolos jogando. Também no vôlei com a seleção de prata de Bernard, Renan e William. E, é claro, o basquete da seleção que venceu os Estados Unidos no Panamericano de 87 - algo que ninguém acreditava possível. E essa seleção mostrou para todo o Brasil, e o mundo!, o talento de seu maior jogador, Oscar, recordista de pontos nessa final e em quase todas as competições que participou. Um cara que depois recusou um convite para jogar na NBA, onde certamente se consagraria e ficaria milionário, para poder continuar defendendo a seleção brasileira, pela qual tinha verdadeira veneração e um senso de dever absoluto. Nos anos finais do meu tempo de colégio, especialmente nesse ano de 1987, ...

"Eu vou onde eu quero!"

Temos uma amiga que só encontramos à noite, nos bares e pubs daqui da nossa cidade e do litoral. Apesar de termos nascido na mesma cidade, indo morar em Tramandaí, não sei muito da família dela, mas sei que ainda cuida de sua mãe junto com os irmãos. Ainda nesse verão, comemorou seus 70 anos com uma grande festa para os amigos. No sábado que passou, nos encontramos no pub da praia, é claro, e nos cumprimentamos com alegria, quando ela disse que um amigo em comum, dono de outro bar, estava desgostoso porque ela não ia mais ao local que, de fato, abria e fechava muito cedo, quando ela disse essa frase que marcou o momento: "Eu vou onde eu quero!". Essa sentença traduz toda uma afirmação de si mesma que é invejável. Não sei o que ela passou em sua vida e nem com quem, mas essa frase é quase um lema de liberdade. Vindo, então, de uma mulher que a desfruta convicta do valor da vida e livre das convenções sociais, além de seguir trabalhando e cuidando dos seus, é muito bonito e mot...