O amor e seus personagens

O amor pode assumir diferentes personagens. Pode ser um viajante que chega como forasteiro, conquista seu lugar, mas parte novamente sem aviso. O amigo fiel e próximo que se declara ou apenas observa, à distância, o ser amado. O bandido que arromba a porta do coração alheio, bagunça tudo e leva o que pode, deixando o lugar vazio. O construtor que ergue diariamente tijolos de uma obra interminável feita de sentimentos próprios e alheios que se fortalece à medida que cresce de tamanho, mas que, paradoxalmente, nunca deixa de ser frágil, porque o material desses tijolos é feito de partículas unidas por uma magia inexplicável. O palhaço que te faz rir e se maravilhar como se voltasse a ter a alegria de uma criança, sentindo-se bem com a vida e com o fato de estar vivo por causa dele. O amor pode ser muitos e cada um, com sorte, viverá o seu amor e poderá ver nele um personagem que o caracterize. Vilão ou mocinho - porque o amor nem sempre será bom ou gerará boas consequências -, o importante é saber que viemos para amar e que sem amor a vida será incompleta e provavelmente triste. Pode ser o amor romântico por outra pessoa, o que envolva laços familiares ou mesmo o amor por amigos. Amar, no fim das contas e apesar de tudo, é o que vale. Recentemente, uma querida amiga viu seu amor de anos partir, deixando a casa em que moravam sem maiores explicações, e ela só veio mesmo a entender o que havia ocorrido quando soube que ele já estava com outra pessoa. Ela vai saber qual o personagem desse amor que ela viveu, que lhe consumiu uns bons anos e a fez ter expectativas até terminar assim num clichê melancólico. Um amor fraco que cedeu facilmente à tentação e não mereceu nem uma conversa franca ou um pedido de desculpas no seu epílogo, um amor passageiro para esquecer, como a atuação de um péssimo ator apenas bonitinho. Mas o amor também é isso, um personagem que surge no cenário formado pelo encontro de duas pessoas e que pode escolher diferentes papéis para distintos roteiros que escrevemos geralmente sem perceber, onde o final feliz jamais é garantido.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A escolha de ser Luís Fernando Verissimo

Quem você queria ser…na sua infância? Ou o que a criança que você foi queria pra você?

Porque não sou um maratonista