E o shape mental?

Os tempos são outros mesmo. O culto à saúde e ao corpo parece ter conquistado de vez os hábitos da maioria dos jovens brasileiros. Essa galera dos vinte e poucos anos que já não sai mais à noite, nem aos sábados!, para acordar cedo e treinar ou competir. Que não bebe mais com amigos, nem vai pro bar ou pra balada flertar ou conhecer outras pessoas. Sexo?, também parece não ser mais prioridade, nem para os solteiros nem para os comprometidos nessa idade. O negócio agora é ser fit, cuidar da alimentação e ter o físico em condições de ser exposto nas redes sociais, ou para se engajar. Outros até radicalizam se tornando body builders, treinando e correndo maratonas e fazendo triatlo. Rotinas rigorosas de atletas pra quem não é, mas quer parecer que é ou ter atitude como tal. Enfim, eu fico olhando pra essa galera toda e pensando se, com tanta dedicação ao corpo, sobra algum tempo para atender as necessidades (e prazeres) mentais de cultura, conhecimento, boa informação e erudição. Erudição, sim!, porque por muito tempo isso foi o que de melhor o homem poderia buscar, não para se tornar pedante ou exibir-se, mas, no mínimo, para ser mais interessante como ser humano e ampliar seu campo intelectual. A cultura, de diversas formas, desde as boas leituras à música e o cinema, só pra citar algumas de suas formas de interagir com a nossa razão e emoção. O conhecimento que nos torna ricos de saberes e não apenas cheios de informação superficial. Pelo jeito, nestes tempos de idolatria ao físico e ao visual, aprimorar o shape mental parece estar em baixa mesmo, o que é uma pena por tudo aquilo que se perde com uma mente "desnutrida" de bons estimulantes para pensar.

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