Oscar

Na minha época de colégio pratiquei muitos esportes, que vinham em fases, muitas vezes por influência daquilo o que a seleção brasileira da respectiva modalidade esportiva conquistava e contagiava toda a nação. Foi assim com o futebol nas copas do mundo de 82, 86 e 90, em que, mesmo perdendo, tínhamos grandes ídolos jogando. Também no vôlei com a seleção de prata de Bernard, Renan e William. E, é claro, o basquete da seleção que venceu os Estados Unidos no Panamericano de 87 - algo que ninguém acreditava possível. E essa seleção mostrou para todo o Brasil, e o mundo!, o talento de seu maior jogador, Oscar, recordista de pontos nessa final e em quase todas as competições que participou. Um cara que depois recusou um convite para jogar na NBA, onde certamente se consagraria e ficaria milionário, para poder continuar defendendo a seleção brasileira, pela qual tinha verdadeira veneração e um senso de dever absoluto. Nos anos finais do meu tempo de colégio, especialmente nesse ano de 1987, quando cursei o primeiro ano do então segundo grau, eu e meus colegas nos dedicamos somente ao basquete como esporte, e até hoje continua sendo o que mais me dá saudade de jogar. Hoje, com a notícia da morte de Oscar, é que percebo que ele foi o grande responsável por empurrar a mim e a tantos outros garotos e garotas para a quadra e a descobrir a magia do basquete, porque não era apenas jogar, era tentar também imitar suas cestas e, principalmente, sua paixão em cada jogada. Também é importante tomar como lição de vida sua confissão de que nunca foi dom ou habilidade natural, que a tal "mão santa" nunca existiu, mas somente a "mão treinada" como ele mesmo afirmava, ao dizer que ninguém havia treinado mais que ele. Enfim, dedicação e trabalho podem mesmo criar ídolos, mas somente a paixão pelo que e por quem se faz pode criar lendas. Espero que o exemplo de Oscar continue motivando muitos novos esportistas, mostrando o verdadeiro significado do sucesso e gerando atletas que queiram vencer por amor ao país.

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