domingo, 25 de outubro de 2015

As mentiras consensuais

O ser humano tende a pensar de maneira maniqueísta, separando as coisas em boas e ruins, como um ideal de simplificação pragmática diante de uma realidade complexa. Essa forma de pensar acabou se transferindo, ao longo dos tempos, para as relações interpessoais, consolidando certos dogmas ou convenções que, apesar dos 2015 anos de Era Cristã, ainda não sabemos bem se são próprios de nossa espécie ou de como vivemos em sociedade. Casar, trabalhar, gerar filhos, triunfar - é o que o senso comum espera de cada um. Mas a maioria de nós passa a vida sob a tensão entre atender a essas convenções sociais ou a nossos desejos e impulsos individuais, nem sempre harmônicos entre si. Assim seguimos, sendo resultado de nossas vontades em combate às vontades dos outros.

A propósito disso, e de forma bem melhor redigida, transcrevo o texto abaixo da Martha Medeiros, de quem não sou propriamente um fã ou leitor assíduo, mas a quem admiro por este e outros escritos.



MENTIRAS CONSENSUAIS (Martha Medeiros)

Existem pessoas felizes e pessoas infelizes, e todas elas se questionam.
Umas bebem champanhe e outras água da torneira, e se fazem as mesmas indagações. Se existe uma coisa que nos unifica são as dúvidas que trazemos dentro. São pequenas angústias que se manifestam silenciosamente, angústias que não gritam, ou gritam somatizadas em úlceras, insônias e depressões. Angústias diante das mentiras consensuais.
 
O que são mentiras consensuais? São aquelas que todo mundo topou passar adiante como se fosse verdade. Aquelas que ouvimos de nossos pais, eles de nossos avós, e que automaticamente passamos para nossos filhos, colaborando assim para o bom andamento do mundo, para uma sanidade comum. O amor, o sentimento mais nobre e vulcânico que há, tornou-se a maior vítima deste consenso.

Mentiras consensuais: o amor não acaba, quem ama quer filhos, amor de uma noite só não é amor, o amor requer vida partilhada, amor entre pessoas do mesmo sexo é antinatural.
Tudo mentira! O amor, como todo sentimento, é livre. É arredio a frases feitas, debocha das regras que tentam lhe impor. Esta meia dúzia de coordenadas instituídas como verdades fazem com que muitas pessoas achem que estejam amando errado, quando estão simplesmente amando. Amando pessoas mais jovens ou mais velhas ou do mesmo sexo ou amando pouco ou amando com exagero, amando um homem casado ou uma mulher bandida ou platonicamente, amando e ganhando, todos eles, a alcunha de insanos, como se pudéssemos controlar o sentimento. O amor é dono dele mesmo, somos apenas seu hospedeiro.
 
Há outros consensos geradores de angústia: o mito da maternidade, a necessidade de um Deus, a juventude eterna. Sobem e descem de ônibus milhares de passageiros que parecem iguais entre si, porém há entre eles os que não gostam de crianças, os que nunca rezaram, os que estão muito satisfeitos com suas rugas e gorduras, os que não gostam de festas e viagens, os que odeiam futebol, os que viverão até os cem anos fumando, os que conversam telepaticamente com extraterrestres, os ermitões, enfim, os desajustados de um mundo que só oferece um molde.

Todos nós, que estamos quites com as verdades concordadas, guardamos, lá no fundo, algo que nos perturba, que nos convida para o exílio, que revela nossa porção despatriada. É a parte de nós que aceita a existência das mentiras consensuais, entende que é melhor viver de acordo com o estabelecido, mas que, no íntimo, não consegue dizer amém.

sábado, 17 de outubro de 2015

Diário de viagem Espanha-Portugal 2015

Primeiro dia: 29-30/09/15 - Porto Alegre/Lisboa/Barcelona
- saída de POA às 20:00 no vôo TAP direto a Lisboa
- chegada a Lisboa às 10:30 do dia 30/09 (quarta-feira) e conexão para Barcelona
- chegada a Barcelona às 16:00 - encontro com o Tom no aeroporto e carona até o apartamento dele e da Maria em Badalona (praia e subúrbio de Barcelona, a 10 minutos do centro de metro)
- passeio rápido pela praia e centro de Badalona - metro para Barcelonada até a Praça Catalunia
- encontro com a Maria e janta de tapas e vinho no Restaurante El Nacional (Paseo di Gracia) para comemoração do aniversário da Cacá
- final de noite com vinho no pub El Solterio

Segundo dia: 01/10/15 - Barcelona
- metro até a estação Sagrada Família - visita externa à catedral (ainda) em obras, entre uma multidão de turistas
- caminhada até o Sant Pau (antigo complexo hospitalar de prédios e jardins considerado marco do modernismo catalão, que foi restaurado e reaberto para visitação em 2014)
- metro até a estação Catalunia - almoço no Restaurante En Ville
- caminhada pelo Bairro Gótigo e Rambla até o Porto Olímpico
- cerveja no pátio da Plaza Real
- chá com música ao vivo no El Solterio
- metro até Badalona e janta na casa do Tom e da Maria

Terceiro dia: 02/10/15 - Barcelona/Valencia
- metro desde Badalona até a Estação de Saint, onde tomamos o trem para Valencia às 12:00
- chegada em Valencia às 15:30 (Estación de Nord) e caminhada até o Hotel Mediterraneo (centro - Bancorbras)
- tapas na Bodega Antonio Manuel - caminhada até a Playa del Ayuntamiento, Ciutat Vella, Plaza de la Reina, torre e ponto dos Serranos
- janta na bodega Vino Tinto
- provamos a famosa água de Valencia no bar de um hostel na Plaza del Ayuntamiento

Quarto dia: 03/10/15 - Valencia
- passeio até a Cidade das Artes e das Ciências e entrada no Oceanográfico para conhecer os aquários e show de golfinhos
- jantamos a verdadeira paella valenciana (com frango e coelho) no Restaurante Taska la Coveta, no centro histórico

Quinto dia: 04/10/15 - Valencia/Granada
- metro até o aeroporto para pegar o carro alugado (Seat Ibiza) e partida rumo a Granada, via Parque Nacional de Serra Nevada
- almoço em parador no caminho (entre o nada e lugar nenhum)
- chegada à tarde em Granada após +/- 500km - check in no hotel Granada Center (centro - Booking.com)
- passeio por Granada (centro histórico) e janta de tapas, vinhos e afins na Taberna Masquevino (cuzcuz com frango ao molho curry)

Sexto dia: 05/10/15 - Granada/Almuñecar/Malaga/Marbella/San Pedro Alcantara
- café da manhã com media com tomate espargido no pão com queijo e azeite de oliva (!), seguido de passeio  pelo Bairro Albaicín em Granada, com seus mirantes com vista para a Alhambra e Generalité
- saída de Granada rumo a Almuñecar (litoral), onde almoçamos
- chegada em Málaga, com visita ao Alcazaba e ao centro histórico, até o Museu Picasso (nascido na cidade), onde não entramos por já estar fechando...café na praça da catedral e estrada!
- chegada ao balneário de Marbella ao pôr do sol, com passeio pela orla e unas cañas em bar à beira mar (*caña em espanhol é um copo de cerveja entre 300 e 500 ml)
- junto a Marbella, chegamos à noite em San Pedro Alcantara onde nos hospedamos no Hotel Doña Catalina (Booking.com)
- tapas e cañas em bar frequentado apenas por moradores locais, próximo ao hotel

Sétimo dia: 06/10/15 - Puerto Banús/Ronda/Gibraltar/Cadiz
- café da manhã no hotel e check-out
- visita ao balneário e marina de Puerto Banús
- subimos a serra até Ronda, onde passeamos pelos arredores da "Ponte Nova", que interliga a cidade nova à velha - ambas antiquíssimas
- almoço em Ronda e partida para Gilbraltar pela serra, passando pelos pueblos blancos cravados nas montanhas
- descida da serra e chegada a Gibraltar, sem entrar na área de domínio inglês para evitar passar na imigração
- tempo à beira mar na areia da praia, admirando o mar e a fila de grandes navios passando pelo estreito de Gibraltar
- estrada pra Cadiz e chegada ao final da tarde - hospedagem no Hotel Boutique Convento Cadiz (quarto Sta Maria Magdalena), sendo que o convento ainda funciona no local, anexo à Catedral de Cadiz (Booking.com)
- passeio e janta no centro histórico de Cadiz

Oitavo dia: 07/10/15 - Cadiz/Jerez de la Frontera/Sevilha
- feriado em Cadiz pelo dia da padroeira da cidade Nossa Senhora do Rosario, com muito movimento de fiéis na cidade e na Igreja junto ao Convento (anexa ao hotel)
- passeio pela orla de Cadiz, até a Praia da Caleta e Castelos de Sta Catalina e San Sebastian)
- almoço em Cádiz, check-out no hotel e estrada
- parada em Jerez de la Frontera, no centro, para provar o famoso Xerez (bebida semelhante a licor com variações do mais seco ao mais doce - recomendo: Xerez Fino da marca Tio Pepe)
- estrada até Sevilha e check-in no Hotel Best Western Cervantes (Bancorbras)
- passeio a pé até a Catedral e Bairro de Santa Cruz, onde jantamos tapas, seguindo até a Plaza del Salvador para o último brinde da noite nos bares com mesas na rua

Nono dia: 08/10/15 - Sevilha
- passeio pelos prédios e jardins do Real Alcazár
- passeio de barco pelo Rio Guadalquivir (1 hora) a partir da Torre del Oro
- almoço e caminhada até a Plaza de España e Parque Maria Luisa
- visita guiada à Plaza de Toros (La Real Maestranza)
- banho no hotel e show de Flamenco no Palazio Andaluz
- janta de tapas no Bairro Santa Cruz
- último brinde na Plaza San Salvador

Décimo dia: 09/10/15 - Sevilha/Carmona/Lisboa
- passeio pelo centro histórico de Sevilha para compra de lembranças pra família
- check-out no hotel e ida de carro para a cidade de Carmona, onde almoçamos em seu belo Parador - visita ao centro histórico da cidade
- retorno ao aeroporto de Sevilha para entrega do carro e vôo para Lisboa (Sevilha-Madrid-Lisboa) pela Iberia
- chegada em Lisboa às 23:00 e taxi para o Turim Iberia Hotel (Bancorbras)

Décimo primeiro dia: 10/10/15 - Lisboa
- amanhecer com chuva em Lisboa - metro até a Estação do Oriente no Parque das Nações (complexo construído para a Expo 98), com passeio pela orla no Telecabine
- almoço no Mercado da Ribeira, onde conhecemos mãe e filha cariocas e tivemos uma ótima conversa
- passeio pelos bairros do Chiado (incluindo a Cafeteria A Brasileira, preferida de Fernando Pessoa) e Alfama
- janta de bacalhau típico com vinho tinto português no excelente Restaurante Laurentina (reserve antes!)

Décimo segundo dia: 11/10/15 - Lisboa/Porto Alegre
- café da manhã no hotel e táxi até o aeroporto
- embarque em Lisboa às 11:20 e chegada em Porto Alegre às 18:10 (10:30 de vôo).

(fotos em breve)