domingo, 6 de setembro de 2015

Imigrar ou mudar?



Semana difícil a que passou. Notícias ruins nos bombardearam de todos os lados. Crise econômica agravando-se no Estado e no País, manifestações e violência nas ruas da capital e do interior, perspectivas pouco animadoras que já condenaram até o próximo ano. Todo esse ambiente que vem marcando 2015 como um ano de incertezas e de perda do rumo do Brasil, faz surgir em muitos – em mim também – a dúvida em relação ao nosso futuro na terra brasilis. Somos um povo com o curioso “complexo de superioridade”, por nos acharmos melhores que os demais, sem qualquer razão para isso. Talvez seja culpa do futebol do Pelé e do Garrincha, mas a verdade é que não somos os melhores, nem os mais corretos, capazes, muito menos os mais educados, e mesmo assim temos a arrogância de achar que não temos que copiar os bons exemplos de ninguém e que as coisas naturalmente acontecerão da melhor maneira para nós. A tal “Pátria educadora” não é nada mais que um bom slogan de um governo incompetente para implementar a revolução educacional de que tanto necessitamos. A crise econômica certamente é muito mais política do que propriamente econômica. No entanto, demonstra bem o quão rápido a incapacidade de alguns governantes pode jogar uma nação na lona. Diante de um momento tão difícil e de um porvir obscuro, até mesmo o caminho do aeroporto passa a ser uma alternativa a ser considerada. Buscar um país civilizado para viver e trabalhar, por que não? Migrar para a condição de estrangeiro em outro lugar, porém, nos remete a considerar a situação daqueles tantos que estão buscando essa saída por questão de sobrevivência, invadindo a Europa quando conseguem alcançar a praia ou pular o muro, deixando outros tantos sem vida no mar ou sufocados num caminhão. Ao chegarem, ainda tem que enfrentar a repulsa dos locais que não querem recebê-los, seja por medo ou por insegurança quanto a seu próprio bem estar. Estes imigrantes, provavelmente, não tiveram oportunidade para mudar a situação dos lugares dos quais fugiram, fugindo por isso mesmo. Nós, bem ou mal, ainda podemos agir para tentar mudar e melhorar a nossa própria situação, nas diversas esferas de atuação que nos são permitidas ou alcançáveis, com maior ou menor intensidade, a partir das nossas casas, ruas, no trabalho, na comunidade, na região e no país, exercendo um voto consciente, participando de movimentos civis organizados ou mesmo assumindo cargos políticos. Da minha parte, é o que farei: antes de arrumar a mala para deixar esse país, vou seguir tentando melhorá-lo.