segunda-feira, 18 de maio de 2015

A grande beleza

Assisti, finalmente, ao elogiado filme italiano "A grande beleza", a que também elogio por seu olhar impiedoso, irônico e burlesco até de uma elite decadente - que, no fim das contas, é aplicável a todos nós -, fazendo pensar o que é realmente belo, ou digno de algum sentido, em nossa passagem pela vida e nas típicas relações com outras pessoas, sem ter a pretensão de dar respostas fáceis.

Como não sou crítico de cinema, deixo o link de uma crítica que me pareceu próxima do que senti ao ver o filme, a meu ver, altamente recomendável. Aproveitem!

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/12/1388082-critica-com-referencias-a-fellini-e-antonioni-a-grande-beleza-retrata-superficialidade.shtml

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Rei do Blues




Desconfio das pessoas que não gostam de música, que não apreciam ouvir música e não tem a música como uma companheira para as boas e más horas. Na verdade, sob efeito do meu senso crítico virginiano, chego quase a desprezar essas pessoas. Mas me explico! Vejo e sinto a música como a mais humana das coisas, aquilo que realmente nos diferencia e nos eleva a ponto de justificar sermos obra da criação de Deus - para uns - ou seres superiores aos demais animais - para outros. A única linguagem realmente universal, que é capaz de alegrar ou comover em qualquer idioma, ou mesmo sem o uso de palavras. Nada tem o poder de sensibilizar como a música, e se alguém não se sensibiliza com a música, nem com o amor conseguirá, pois não há amor onde não haja sensibilidade. Por isso, duvido um pouco da humanidade de quem seja indiferente à música. Se você se preocupou com isso, acalme-se!, nunca é tarde para se deixar conquistar pela música. Eu fui tocado por ela desde muito cedo, em minha casa, a partir dos discos do meu pai, seguindo-se dai em diante sucessivos deslumbramentos por novos artistas e estilos, num processo de (auto) conhecimento musical, porque todos respondemos diferentemente a esse estímulo sonoro. Quando conheci o Blues, fui atraído por esse gênero através da música de B.B. King, o maior bluesman vivo da minha época, que inspirou diversos outros grandes guitarristas com seu jeito emotivo de tocar sustentando o som das notas e tornando-as verdadeiros lamentos, típicos de um som com raízes nos cânticos tristes dos escravos negros nas plantações de algodão do Mississipi. Além de tocar, cantava de uma forma igualmente emotiva, mas exibindo sempre um sorriso na face, de evidente prazer pelo que estava fazendo. O Blues é, assim, uma forma ainda mais sensível de música, e que embora traduzido como tristeza, nem sempre é triste, mas direta, irresistível e incrivelmente simples. Só deixa a simplicidade de lado, quando tocado e cantado por alguém que o eleva ao estado de pura emoção, como o Rei e outros poucos conseguiram. Sempre me lembrarei daquele show do B.B. King em Porto Alegre (Gigantinho), lá em 1995, onde me senti conduzido por sua música a um estado de graça, em que por uma hora nada mais importava, somente vê-lo e ouvi-lo ali diante de nós. No dia de hoje, em que ele partiu, somente algum de seus melhores blues será capaz de expressar o quanto lamentamos a sua perda. Meu sincero e mais profundo agradecimento a sua música, senhor Rei do Blues. Descanse em paz...