domingo, 11 de maio de 2014

O que nos salva...

Dia desses, ouvindo as canções de um estimado cantautor, me dei conta de que, ao longo da vida, muitas vezes temos chances de ser salvos. Não propriamente da morte, que pra isso já se tem o destino ou acaso - conforme a preferência de cada um. Digo que somos salvos da mediocridade, da ignorância sobre o que realmente importa, da falta de sensibilidade, de amor e de humanidade contida na emoção. Somos salvos pra poder exercer uma virtude, pra ter uma experiência que, boa ou má, mudará nossa forma de ver o mundo ou a nós mesmos, porque o autoconhecimento é uma, ou a maior, forma de salvação. E o que nos salva? Não sei, porque pode até ser difícil perceber quando somos salvos. Nem sempre se trata de uma escolha ou revelação consciente. E a diversidade de coisas que pode nos salvar é quase infinita, à medida que cada um pode encontrá-la nas mais diversas situações possíveis. Uma família estável e amorosa onde se naça, um trabalho, um bom conselho ou uma boa tunda, um beijo, carinho e até um amor: o maior redentor! Uma frase num livro, o verso de uma canção, um poema - sim, a Arte! A questão é jamais negar que você possa e queira ser salvo. Se você pensar que só é salvo quem precisa de ajuda e, portanto, que isso é coisa de quem vive numa condição de fraqueza - que o mundo atual nega, por exigir que sejamos todos super homens e mulheres -, você está totalmente enganado! Só é salvo quem reconhece o quanto é importante sensibilizar-se tantas e quantas vezes mais for possível, a cada dia, porque aí está a plenitude do viver a si próprio, encontrando o que de melhor, na essência, o tempo e o espaço coloca à nossa volta enquanto passamos por aqui. Assim, quanto mais somos salvos, melhor nos tornamos, com as dores que as novas percepções da realidade podem trazer consigo, mas com a "delícia de ser o que é", descobrindo a si e o mundo!

terça-feira, 6 de maio de 2014

Mario Quintana - 20 anos de uma obra viva




Ainda me lembro, claramente, que eu estava sentado num banco no pátio da Unisinos, ouvindo meu walkman, naquele dia 05/05/1994, quando a rádio anunciou o falecimento do Mario Quintana. Não sei se eu já era um grande fã dele - como sou hoje -, mas recordo que fiquei triste sim, porque o que conhecia do Poeta já me permitia saber que sua despedida era uma grande perda para a nossa cultura. O Poetinha partiu discreto, no rastro que foi a comoção nacional pela morte de Ayrton Senna, ocorrida dias antes. Parece que ele escolheu o dia de sair à francesa, como se fosse uma maneira de dizer: "olha, eu tô indo, mas não se importem comigo e sim com a minha obra que fica". E esta, a obra do Quintana, continua mais viva e fortalecida do que nunca, muito graças ao poder de divulgação das redes sociais, que hoje servem de espaço livre para as pessoas conhecerem e divulgarem os versos, ora humorados ora profundos e emocionantes, deste poeta que sabia falar direto ao coração das pessoas, de uma maneira simples, quase como uma conversa de botequim ou um conselho de avô. Essa simplicidade de sua poesia, sem dúvida, a tornou atemporal e acessível a qualquer um, numa linguagem coloquial e limpa de excessos parnasianos ou eruditos, que outrora serviu para criticar sua obra mas hoje demonstra ser a razão de sua perenidade. Como é bom poder contar com a palavra de Mario Quintana durante a caminhada pela vida, como as estrelas que iluminam um de seus famosos versos:

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!