domingo, 16 de março de 2014

A vida amorosa dos feios

"Não tenho nada pra você ver
A beleza está no que eu posso mostrar"


Estamos acostumados a ver, nos filmes e programas de tv, romances entre pessoas bonitas ou, ao menos, normais como a maioria de nós. No entanto, acredite, a vida amorosa dos feios é mais interessante.
Para um feio, feio mesmo!, as dificuldades de se relacionar são maiores e começam desde cedo. Enquanto os normais, como nós, lembram saudosos de seus primeiros flertes e namoricos de infância, os feios geralmente nada têm a lembrar, senão da falta de par de dança nas festinhas, dos risos mal-disfarçados e dos deboches à queima-roupa. Os feios, ainda muito jovens, começam a flertar seriamente com a solidão. Isso desencadeia um instinto de sobrevivência sentimental que os normais têm mais relaxado e os belos desconhecem, aqueles porque acreditam que o destino uma hora lhes trará a pessoa amada, estes porque podem - em tese - escolher a quem amar dentre tantos que aparecem. Os feios desistiram de esperar pelos arranjos do destino e, como ninguém vem até eles, necessitam lutar pelo amor, como alguém que sai à caça do alimento que lhes permitirá viver.
Quando o feio detecta uma oportunidade, a partir de um olhar esquivo, um sorriso sincero ou um modo de falar vacilante, ele se transforma no maior amante em potencial, ou seja,  naquele que fará o que estiver a seu alcance para conquistar seu par ou se deixar ser conquistado por ele - o que no seu caso é algo raro. Ou seja, o feio utilizará de todos os artifícios de que dispõe ou que possa inventar para iludir seu alvo acerca da própria feiúra. Tentará, com todas as forças, revelar a superioridade de suas virtudes sobre a ingrata natureza. Se empenhará na conquista como poucos normais fariam e os belos então, jamais! Utilizará outras habilidades eficazes como o humor, a conversa envolvente ou mesmo uma irresistível simpatia. Sempre tomando o cuidado de não assustar e pôr a correr a pessoa desejada, o feio aguardará o momento ideal para dar o bote certeiro num beijo, em sua mão sobre a da 
outra, ou que sejam apenas só uns instantes de abraço, porque mesmo não lhe sendo fácil segurar os impulsos ele sabe que há um tempo a ser respeitado para se chegar à vitoria. E quando o feio conquista sua chance, ele se dedica a ela como se fosse a última - porque ele sabe que pode ser. Mas, sobretudo, ele se dedica a satisfazer a pessoa conquistada mais que a si próprio. Não só visando garantir outros desses momentos a dois, mas para mostrar o quanto ele também pode  emanar beleza, onde tantos de melhor estampa não conseguem. Afinal, como bem sabem os feios, a beleza está onde nos dispusemos a encontrá-la.




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