domingo, 23 de novembro de 2014

Os 25 anos da queda do Muro de Berlim



Eu que tive minha infância e adolescência entre os anos 70 e 80, convivia com o temor de uma Terceira Guerra Mundial, que reduziria a humanidade e o planeta às cinzas depois que as bombas atômicas fossem lançadas pelas grandes potências antagônicas de então: o capitalismo norte-americano versus o comunismo soviético.

Era uma paz em suspenso – e suspense! -, equilibrada na corda bamba do grande abismo que separava os dois regimes, ideologicamente diferentes mas igualmente armados. Qualquer notícia de tensão entre as superpotências causava grande apreensão, o que, juntamente com o sensacionalismo das matérias do Fantástico e filmes como “The Day After”, causou para mim a perda de algumas tantas horas de sono.

Quando a União Soviética cedeu às pressões de um regime que não mais se sustentava, nem política nem economicamente, e passou a implementar o processo de reforma que resultou no desmantelamento daquela imensa máquina estatal - a Perestroika de Gorbachev -, eu só fui entender a importância da situação quando a televisão mostrou as pessoas dos dois lados tomando de assalto o Muro de Berlim, festejando sua queda e derrubando junto o grande bloco comunista liderado pelo Kremlin.

Pela primeira vez na vida, naquele 9 de novembro de 1989, eu me vi presenciando um momento histórico.

O que veio a seguir foi um grande alívio e o prenúncio de tempos de paz duradouros – o que a Guerra do Golfo, no início dos anos 90, demonstrou ser ilusório. Naqueles dias e meses posteriores à queda do muro, o sentimento de liberdade correu o mundo como uma brisa refrescante, nos fazendo perceber que nenhum Estado com pretensão de tolher e dirigir a vontade de seus cidadãos será sustentável indefinidamente.


A queda do muro mudou o mundo, abriu-o a novos tempos e a outras mudanças que se seguiram, e seguimos mudando porque nada é permanente, exceto a mudança, como disse Heráclito muito antes da bomba atômica.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Meu amigo Rock

É triste perder um amigo, seja ele humano ou bixo. Um animal de estimação é um amigo que estimamos, mesmo sendo bixo. Há quase dois anos, recebemos e criamos o nosso cachorro "Rock", um boxer com uma energia aparentemente inesgotável e que demonstrava carinho para com a gente. Morreu hoje, por seguir seu ímpeto de bixo solto e se acidentar. Sentiremos sua falta como a de um amigo-gente, até porque o gostar é o mesmo quando se gosta. Se existe o céu deles, espero que ele aproveite toda a eternidade correndo livre em campos sem obstáculos e na companhia de muitos amigos. Valeu, Rock!



domingo, 12 de outubro de 2014

Mais vale o momento que a foto

Ouvi isso num bom filme e concordo: quando um momento nos toca pessoalmente, melhor do que fotografá-lo e distrair-se com a câmera é simplesmente ficar ali e admirá-lo. Por mais que eu goste de fotografar, com uma certa crença de estar eternizando um instante para desfrutá-lo outras tantas vezes, reconheço que a foto não consegue preservar a conexão que existe quando presenciamos algo que nos emociona. O tempo-espaço não é captado pela fotografia, senão que apenas uma idéia do momento, um registro, ainda capaz de transmitir uma boa representação dele, porém já fora e distante do que foi, porque nem as fotos mantém vivo o passado. Assim, uma bela paisagem, a família reunida, os amigos abraçados, uma comemoração, um primeiro ou único beijo, o pôr do sol, enfim, qualquer ocasião que mereça ser retratada, por mais especial que seja, sempre valerá muito mais que o seu registro em papel, ou numa imagem perdida entre milhares no computador. Aprecie cada momento desses, grave com seus próprios sentidos e ele ficará impresso na memória daquelas coisas que nunca vamos esquecer.






sábado, 26 de julho de 2014

Feliz aniversário Dona Ivone!


Um lugar
(dedicado a Dona Ivone Selistre)

Conheço um lugar em que vivi
Tantos bons momentos
Junto a pessoas queridas
Onde não haviam tormentos
Somente o gozo de nossas vidas.
Nos seus desníveis verdes
Canteiros de flores bem cuidadas
A sombra de muitas árvores
Cercando o recanto do encontro
Dos churrascos de domingo,
dos aniversários, festas de batismo,
de finais de ano ou só de amigos.
Tantas confissões de apego e carinho
Embaladas pela cerveja ou o vinho
De quentes noites de inverno
E refrescantes tardes de verão
Sempre uma música a tocar
ao som de risadas no ar
E se teve choro, foi de emoção
Que não coube no coração
E em lágrimas se fez escapar.
Nesse lugar cultivei o amor
De uma das meninas dali
A mais linda flor do jardim
Que eu conquistei para mim.
Estações que passaram em nossas vidas
Dos dias coloridos de primavera
ao calor do verão
Dias tristes de inverno,
tempestades e vendavais
E a calma a reinar depois dos temporais.
Amigos que se tornaram família -
porque não há família se não somos amigos -
Um lugar rodeado de casas
dos que dali não quiseram sair
Ou ali vieram para ficar
Dar seus filhos ao lugar.
Um lugar a que pertencer
E todos os dias viver
A poesia que desce a janela do casarão
De quem hoje mira a Borges na solidão
do amor que já partiu
Dividida com tantos outros
ocupantes do mesmo coração.

Ali também amadureci,
vendo minha vida passar
Sendo feliz em sentir
que faço parte desse lugar
E se um dia me puser a recordar
Haverá tanto o que lembrar
Mas sobretudo haverá
Além da minha flor, de qualquer dor
De tantas festas, tantos risos
Das tardes e noites, a viver de improviso
Sobretudo haverá, a nós todos para lembrar
A nós todos haverá, para sempre lembrar
O amor do Seu Didi e da Poetinha
Que ensinaram nós todos a amar
Ali, bem ali, nesse mesmo lugar...

(Murilo de Souza)










sexta-feira, 20 de junho de 2014

O guri

Ganhei de presente do amigo fotógrafo Ivan de Paula um dvd com uma relíquia de valor pessoal inestimável: a gravação do primeiro show da banda Anjos Rebeldes - e meu também! -, ocorrido em 1986, numa festa "anos 60" no Clube Recreativo Patrulhense. Foi emocionante rever as cenas do momento em que aqueles guris com 14 e 15 anos, nervosos e sem jeito, mostraram suas musicas próprias e um cover de Banho de Lua para o pessoal mais velho da festa. Mais emocionante ainda foi me ver ali, como aquele garoto que fui e não saber como tive a coragem para encarar o desafio, junto com meus amigos. A ele, que fui, agradeço hoje por haver vencido as barreiras da timidez, do medo e da insegurança, que poderiam ter me tirado o prazer de tocar a música e estar no palco - o que só sabem dizer aqueles que já viveram isso. Agradeço também pela decisão de levar a música como uma companheira de vida, em meio a tantas outras decisões difíceis pra alguém tão jovem, cujas escolhas determinaram o futuro que vim a ter. Enfim, acho que cheguei bem até aqui e por isso agradeço pelos passos decididos - ou nem tanto - do garoto que subiu no palco naquele noite. Quanto à banda, foi além e depois se desfez, vindo outras em seu lugar. Nos separamos em caminhos diferentes até nos reencontrarmos no cruzamento das velhas amizades, tantos anos depois, pelo mesmo motivo de antes: a musica, que hoje novamente nos reúne, vez por outra, quando tocamos para nossos amigos.



domingo, 11 de maio de 2014

O que nos salva...

Dia desses, ouvindo as canções de um estimado cantautor, me dei conta de que, ao longo da vida, muitas vezes temos chances de ser salvos. Não propriamente da morte, que pra isso já se tem o destino ou acaso - conforme a preferência de cada um. Digo que somos salvos da mediocridade, da ignorância sobre o que realmente importa, da falta de sensibilidade, de amor e de humanidade contida na emoção. Somos salvos pra poder exercer uma virtude, pra ter uma experiência que, boa ou má, mudará nossa forma de ver o mundo ou a nós mesmos, porque o autoconhecimento é uma, ou a maior, forma de salvação. E o que nos salva? Não sei, porque pode até ser difícil perceber quando somos salvos. Nem sempre se trata de uma escolha ou revelação consciente. E a diversidade de coisas que pode nos salvar é quase infinita, à medida que cada um pode encontrá-la nas mais diversas situações possíveis. Uma família estável e amorosa onde se naça, um trabalho, um bom conselho ou uma boa tunda, um beijo, carinho e até um amor: o maior redentor! Uma frase num livro, o verso de uma canção, um poema - sim, a Arte! A questão é jamais negar que você possa e queira ser salvo. Se você pensar que só é salvo quem precisa de ajuda e, portanto, que isso é coisa de quem vive numa condição de fraqueza - que o mundo atual nega, por exigir que sejamos todos super homens e mulheres -, você está totalmente enganado! Só é salvo quem reconhece o quanto é importante sensibilizar-se tantas e quantas vezes mais for possível, a cada dia, porque aí está a plenitude do viver a si próprio, encontrando o que de melhor, na essência, o tempo e o espaço coloca à nossa volta enquanto passamos por aqui. Assim, quanto mais somos salvos, melhor nos tornamos, com as dores que as novas percepções da realidade podem trazer consigo, mas com a "delícia de ser o que é", descobrindo a si e o mundo!

terça-feira, 6 de maio de 2014

Mario Quintana - 20 anos de uma obra viva




Ainda me lembro, claramente, que eu estava sentado num banco no pátio da Unisinos, ouvindo meu walkman, naquele dia 05/05/1994, quando a rádio anunciou o falecimento do Mario Quintana. Não sei se eu já era um grande fã dele - como sou hoje -, mas recordo que fiquei triste sim, porque o que conhecia do Poeta já me permitia saber que sua despedida era uma grande perda para a nossa cultura. O Poetinha partiu discreto, no rastro que foi a comoção nacional pela morte de Ayrton Senna, ocorrida dias antes. Parece que ele escolheu o dia de sair à francesa, como se fosse uma maneira de dizer: "olha, eu tô indo, mas não se importem comigo e sim com a minha obra que fica". E esta, a obra do Quintana, continua mais viva e fortalecida do que nunca, muito graças ao poder de divulgação das redes sociais, que hoje servem de espaço livre para as pessoas conhecerem e divulgarem os versos, ora humorados ora profundos e emocionantes, deste poeta que sabia falar direto ao coração das pessoas, de uma maneira simples, quase como uma conversa de botequim ou um conselho de avô. Essa simplicidade de sua poesia, sem dúvida, a tornou atemporal e acessível a qualquer um, numa linguagem coloquial e limpa de excessos parnasianos ou eruditos, que outrora serviu para criticar sua obra mas hoje demonstra ser a razão de sua perenidade. Como é bom poder contar com a palavra de Mario Quintana durante a caminhada pela vida, como as estrelas que iluminam um de seus famosos versos:

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

domingo, 16 de março de 2014

A vida amorosa dos feios

"Não tenho nada pra você ver
A beleza está no que eu posso mostrar"


Estamos acostumados a ver, nos filmes e programas de tv, romances entre pessoas bonitas ou, ao menos, normais como a maioria de nós. No entanto, acredite, a vida amorosa dos feios é mais interessante.
Para um feio, feio mesmo!, as dificuldades de se relacionar são maiores e começam desde cedo. Enquanto os normais, como nós, lembram saudosos de seus primeiros flertes e namoricos de infância, os feios geralmente nada têm a lembrar, senão da falta de par de dança nas festinhas, dos risos mal-disfarçados e dos deboches à queima-roupa. Os feios, ainda muito jovens, começam a flertar seriamente com a solidão. Isso desencadeia um instinto de sobrevivência sentimental que os normais têm mais relaxado e os belos desconhecem, aqueles porque acreditam que o destino uma hora lhes trará a pessoa amada, estes porque podem - em tese - escolher a quem amar dentre tantos que aparecem. Os feios desistiram de esperar pelos arranjos do destino e, como ninguém vem até eles, necessitam lutar pelo amor, como alguém que sai à caça do alimento que lhes permitirá viver.
Quando o feio detecta uma oportunidade, a partir de um olhar esquivo, um sorriso sincero ou um modo de falar vacilante, ele se transforma no maior amante em potencial, ou seja,  naquele que fará o que estiver a seu alcance para conquistar seu par ou se deixar ser conquistado por ele - o que no seu caso é algo raro. Ou seja, o feio utilizará de todos os artifícios de que dispõe ou que possa inventar para iludir seu alvo acerca da própria feiúra. Tentará, com todas as forças, revelar a superioridade de suas virtudes sobre a ingrata natureza. Se empenhará na conquista como poucos normais fariam e os belos então, jamais! Utilizará outras habilidades eficazes como o humor, a conversa envolvente ou mesmo uma irresistível simpatia. Sempre tomando o cuidado de não assustar e pôr a correr a pessoa desejada, o feio aguardará o momento ideal para dar o bote certeiro num beijo, em sua mão sobre a da 
outra, ou que sejam apenas só uns instantes de abraço, porque mesmo não lhe sendo fácil segurar os impulsos ele sabe que há um tempo a ser respeitado para se chegar à vitoria. E quando o feio conquista sua chance, ele se dedica a ela como se fosse a última - porque ele sabe que pode ser. Mas, sobretudo, ele se dedica a satisfazer a pessoa conquistada mais que a si próprio. Não só visando garantir outros desses momentos a dois, mas para mostrar o quanto ele também pode  emanar beleza, onde tantos de melhor estampa não conseguem. Afinal, como bem sabem os feios, a beleza está onde nos dispusemos a encontrá-la.




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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Letra de música: PERDI MEU CARTAZ

É duro saber, que perdi meu cartaz
E que pra você, não importo mais
Difícil aceitar, minha chance passou
E nem pra lembrar, muita coisa restou

Perdi meu prestígio, meu élan com você
E pra piorar, ainda fui sem te ver
Sem ter despedida, uma jura de amor
Fiquei no caminho, ela nem se importou

Eu tanto sonhei, desfrutar com você
O lado bom do amor, o tal bem-querer
Mas você me deixou, de um jeito qualquer
De quem nunca se importou, de quem não me quer

E agora me resta, tentar te esquecer
Mas como eu posso, deixar de querer
Aceitar que passou, que não volto a te ver
Acho que isso até, é pior que morrer...

sábado, 18 de janeiro de 2014

Feliz aniversário, Vó Olmira!


Boa tarde a todos!

Hoje estamos aqui reunidos para celebrar o aniversario de 90 anos da Dona Olmira, com quem muitos de nós temos um vinculo familiar, outros de amizade, mas por quem todos temos, sem duvida, amor e carinho.

Essa senhora que hoje comemora o seu aniversario, já foi uma menina, descendente de imigrantes espanhóis que vieram se estabelecer aqui no interior de nosso município. Criou-se na Lagoa dos Barros, onde também freqüentou a escola, tornando-se uma bela jovem, que mereceu até a distinção de ser escolhida a Rainha da Sociedade Gaúcha do Portão, onde num baile laçou o coração do jovem Juvenal Ferreira Gomes, com quem veio a se casar la no ano de 1947, morando nos primeiros tempos no salão de baile do Portão, porque a vida era mais dificil naqueles tempos...

Junto com o marido, deram inicio a uma vida de trabalho conjunto, lado a lado superando as dificuldades, desde os tempos da pequena estofaria até se tornarem comerciantes de destaque na cidade, à frente da Loja Mobilar, onde ela cuidava das vendas de sapatos, sem descuidar das coisas da casa, subindo e descendo a escada do sobrado da Fancisco  J. Lopes, 76.

Fizeram muitos amigos e eram amigos de seus familiares, com quem desfrutavam bons momentos nas temporadas no Gravatal e nos veraneios na casa da barra de Tramandai, recebendo para o chimarrao no final da tarde ou para o churrasco dos domingos, sempre com acolhedora hospitalidade.

Tiveram papel importante na comunidade, nao só para o crescimento do nosso comercio, mas tambem dando sua contribuição em açoes sociais atraves do Lions Clube.

 Juntos, constituíram como maior patrimônio, uma bonita familia com os filhos Ana Maria e o nosso saudoso Ilmo Reni, e viram chegar os genros Telmo e Neiva, e depois os netos Murilo, Mouzar, Fabian, Lourenzo, Maurício e Filipe, que trouxeram suas respectivas esposas Carolina, Andrea, Lucila, Adriana, Lidiane e Magali. A Dona Olmira já tem até bisnetos: Pedro, Luca, Júlia, Bernardo e Gabriela.

Enfim, estamos celebrando uma vida de plenitude. De uma menina, mulher, mae, avó e bisavó, pelo que ela realizou, pela familia que constituiu e soube manter unida junto a ela, nos bons momentos e também nos momentos difíceis, nos ensinando a lição de que vencer na vida é chegar aos oitenta, noventa e, se Deus quiser, aos cento e tantos anos, desfrutando do amor de seus familiares, do carinho de seus amigos, e merecendo o respeito e admiração de todos. Parabéns Vó Olmira!