domingo, 9 de junho de 2013

Despedidas


Já faz tempo que eu acredito que o melhor da vida são os encontros. Mas não há como negar a importância também das despedidas. Na correria do dia-a-dia e na própria dificuldade de falar sobre nossos sentimentos, acabamos geralmente deixando de dizer o quanto gostamos ou admiramos alguém. Outras vezes, ficamos buscando o tal momento certo pra falar sobre isso e, do mesmo modo, vamos deixando pra depois. Até que, por alguma razão que nos afasta dessa pessoa, ficamos sentindo que falhamos em não lhe fazer saber disso. Quando se perde alguém para a morte irreversível e se recorda como foi o último encontro com essa pessoa, a gente tende a questionar se esse momento serviu como despedida, se alguma coisa especial foi dita ou se ao menos um gesto serviu para demonstrar um carinho ou uma reverência a quem se perdeu. E se nada foi dito ou demonstrado, fica a frustação por aquele "dever" para com alguém que merecia sabê-lo e para com a gente mesmo, que tanto queríamos ter dito essas palavras de redenção. Pior ainda quando você percebe que, mesmo tendo convivido por tempo mais que suficiente pra ter lhe falado disso, por inúmeras vezes, não o fez. Hoje eu procuro não perder as oportunidades que surgem para dizer o quanto gosto, admiro ou tenho consideração por alguém, ou, mesmo sem dizer, procuro demonstrar isso com um gesto, uma retribuição ou mesmo dando-lhe sincera atenção - o que também pode ser muito. Mas admito que segue sendo difícil, ao menos para mim, falar de sentimentos àqueles a quem mais quero. Então, enquanto sigo me esforçando em dizer-lhes isso, vou procurando compensar meu silêncio com a dedicação de fazer bons os momentos que dividimos, como se fossem os últimos...

*Post dedicado ao meu querido "Seu Oscar", pai de meu grande amigo Lucas, na casa de quem passei muitos dias da minha infância e juventude, e que enquanto teve forças não hesitava em sair à rua a caminhar para encontrar pessoas e contar-lhes uma boa história, como se para cada um quisesse deixar uma lembrança sua. A ele, a quem encontrei pela ultima vez no meio de uma tarde corrida de trabalho, faço aqui a despedida que me restou. Descanse em paz, Seu Oscar.