segunda-feira, 18 de março de 2013

Travessia




Assisti ao documentário oscarizado sobre a história do feito de Philippe Petit, o intrépido francês que, com a ajuda de uma pequena equipe de amadores igualmente corajosos, entrou clandestinamente no World Trade Center, na Nova York de 1974, e atravessou suas torres sobre uma corda bamba, sem qualquer proteção e utilizando apenas uma barra de equilíbrio. Detalhe: ele ficou aproximadamente 45 minutos equilibrando-se sobre o vão de mais de 400 metros, indo e voltando até a borda das torres mais de 8 vezes, além de deitar-se e ajoelhar-se sobre a corda, quando saudou a multidão de espectadores com uma das mãos. Ao sair, preso pela polícia, foi perguntado por que fizera aquilo, e respondeu somente que não havia um porquê. Ao fim do documentário, o Philippe dos dias atuais diz que viver plenamente é viver no limite e exercitar constantemente a rebelião em nós mesmos, encarando cada dia como um desafio a ser superado. A receita de vida do francês remete ao clichê do carpe diem, mas não há como negar que ele a cumpriu ao extremo. A questão é se a maioria de nós também é capaz de grandes feitos ou se propõe a grandes desafios? Sou cético em relação a isso por aquilo o que o senso comum atual predispõe a todos nós, mesmo aos mais jovens que, a meu ver, hoje são demasiadamente resignados e conservadores. O que importa hoje, aparentemente, para a grande maioria, é cumprir o seu pequeno ideal de segurança e integração social: encontrar um trabalho, uma companhia, formar uma família e viver seus pequenos prazeres pessoais. Nossos antepassados migraram de continente em longas e arriscadas viagens de navio, construíram cidades, lutaram nas guerras, criaram suas próprias oportunidades e por isso, suponho, tenham enfrentado maiores desafios do que aqueles a que se propõem as gerações atuais. É claro que, hoje, estamos sendo constantemente desafiados pelo avanço tecnológico que, juntamente com uma globalização cada vez mais presente, muda velozmente nossas vidas em desdobramentos imprevisíveis. Mas, o fato é que, individualmente, parece que estamos muito mais avessos aos riscos de desafiar, de ousar, de rebelar-se contra o que temos de estabelecido, enfim, de deixar a segurança para trás e cruzar a corda bamba de nossa acomodação. Mesmo quando, do outro lado, possamos encontrar aquilo o que procuramos para a nossa plena realização pessoal.


Conheça um pouco mais sobre o nosso herói e sua maneira de encarar a vida:

http://www.ted.com/talks/philippe_petit_the_journey_across_the_high_wire.html