quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Adeus ano velho...

E o ano vai chegando ao fim, de novo.

2012 foi um ano de muitas comemorações e coisas boas pra mim.

Comemorei - sim, acredite, comemorei! - meus 40 anos de vida, pra celebrar o que rolou até aqui.

Não que eu tenha conseguido grandes feitos, fama ou fortuna, mas olho pra trás e vejo que fiz a maior parte das coisas que quis fazer e que estive próximo das pessoas com quem queria estar, o que basta pra dizer que, a meu juízo, o balanço é positivo.

Comemorei, junto com a Cacá, os nossos 20 anos juntos! Não que eu curta ficar somando os anos da relação, até porque pode parecer que ela - a relação! - esteja envelhecendo ou decaindo pelo peso desse tempo todo (o que não é o caso), mas o número impressiona sim.

Na verdade, o que mais impressiona é o quão leve e saboroso continua sendo o nosso cotidiano apesar, ou por causa, de tanto tempo.

Enfim, um tempo esse mais que suficiente pra comprovar o acerto de nossas escolhas e a força do amor que a gente construiu sobre esse terreno movediço dos sentimentos. Te amo Cá!

Ainda nas comemorações, foi inesperado e imensamente prazeroso reencontrar os meus amigos da  Anjos Rebeldes para fazer um show pelos 25 anos da banda, que criamos ainda moleques e para a qual voltamos depois de tantos anos distantes um do outro. Uma noite inesquecível, no bar Meia-Meia II, em meio a tantos amigos e ao som do melhor rock gaúcho daqueles idos anos 80.

A conclusão das aulas do Mestrado foi uma conquista, porque significou um desafio estudar no exterior, em outro idioma e com tantas incertezas sobre o curso. Mas recebi muito mais do que esperava. Além do conhecimento e de reencontrar o gosto pelo estudo do Direito, fiz bons amigos de toda a Latinoamerica e  desfrutei da bela cidade de Rosário.

Profissionalmente, novas parcerias surgiram, o relacionamento com os clientes se fortaleceu e, ainda, comecei a organizar minha atuação com o escritório da família, junto a meu pai e irmãos, para onde retorno agora, mesmo que em tempo parcial, para colaborar com a equipe.

Enfim, um bom ano, que deixará boas lembranças e que, espero, inspire um 2013 ainda melhor. Até porque confio que o melhor sempre estará por vir, assim como diz o Fito Paez...

Y si algo aprendimos en el mundo
Es que el mejor momento aún no vino,
Está por llegar, confiá.
Confiá, confiá
Confiá, confiá
Confiá, confiá.


Àqueles que, de alguma forma, colaboraram ou estiveram comigo este ano, meu muito obrigado e que sigamos juntos ano que vem, com saúde, alegrias e realizações.

Feliz Natal e Ano Novo!


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

#Caso 2 - A noiva

Segunda-feira, contas pra pagar, prazos pra terminar, telefonemas pra retornar, enfim, típica segunda-feira. Chego no escritório, pela manhã, já me preparando para iniciar as tarefas do dia. Waleska, a secretária, só chegará à tarde, como sempre. Nem havia alcançado minha mesa, bateram à porta. Abri e me deparei com Virgínia, como depois vim a saber. Perguntou se eu já estava atendendo porque queria uma consulta. Era jovem, creio que uns 25 anos, loira, olhos azuis e elegante - sim, uma mulher muito atraente. De imediato fiquei curioso sobre o que a teria trazido no meu modesto escritório, numa manhã de segunda, como se estivesse ansiosa para resolver algo. Pedi que sentasse na poltrona em frente à mesa de trabalho e de imediato dei uma rápida olhada na ordem geral da sala, torcendo para que a faxina da sexta-feira anterior ainda fosse perceptível. Sentados, perguntei no que eu poderia ajudar-lhe.


- Bom, doutor...vim fazer uma consulta, sobre casamento, pode ser?

- Sim, farei o possível pra ajudar a esclarecer suas dúvidas - respondi ainda impactado por aqueles olhos azuis.

Apresentou-se e, após eu perguntar se alguém me havia indicado, disse com graça que decidiu falar comigo porque meu nome no letreiro do saguão lhe pareceu confiável - e de pronto gostei de seu sutil senso de humor.

- É que, bem, não sei se você vai me entender - seu constrangimento era visível -, mas eu queria saber o que aconteceria comigo se eu me separasse...assim, o lado financeiro.

- Então você é casada e quer saber como ficaria numa eventual separação. É isso?

- Na verdade, eu não sou casada...ainda. Mas eu explico. É que estou noiva, vou me casar, com um engenheiro, uma pessoa que gosta de mim, tem uma boa situação financeira, a gente se dá bem e tal, então eu acho que é o melhor a fazer. Só que, se não der certo, eu queria saber como eu vou ficar, né? Não me leve a mal, eu tenho um bom trabalho, não dependo dele, mas não quero me prejudicar se o casamento acabar, entende?

Era evidente que sua decisão de casar-se era muito mais racional do que sentimental. Entretanto, não me parecia que ela estivesse interessada apenas na boa situação financeira do noivo. Assim, me arrisquei a perguntar:

- Não me leve a mal, mas você não parece estar muito empolgada com esse casamento. Você pensou bem se seria, de fato, a melhor coisa pra você, ou se o momento seria mesmo esse? Só pergunto isso porque tenho que advertir-la que toda a separação é algo difícil de lidar e emocionalmente desgastante.

Ela me fitou com uma expressão que não foi de repulsa pela pergunta tão pessoal que fiz. Seu olhar era de resignação, de quem já havia se enfrentado com essa questão por muitas vezes e havia tomado uma decisão sobre a qual nao queria voltar a pensar.

- Doutor, eu sei que é o melhor pra mim. Quero alguém pra dividir minha vida. Pode não ser a pessoa com quem sonhei, mas é a melhor que pude encontrar até aqui e...

- Mas você ainda é muito jovem - disse, interrompendo-a.

- Eu sei, mas isso parece que só piora as coisas. Tenho a impressão de que os homens só se aproximam de mim por me acharem bonita, por me desejarem, sem se importarem com quem eu sou e o que quero pra mim.

Velho dilema de mulher bonita, pensei.

- Bom, se você está decidida, quem sou eu pra questionar... - falei isso olhando pra aquela mulher linda, jovem e atraente, imaginando que talvez eu a pudesse fazer feliz e ser feliz com ela, se a vida tivesse nos dado uma oportunidade. Ao invés disso, perdi a pessoa que amava e agora vejo diante de mim alguém que abre mão de procurar viver um amor pra se entregar a uma conveniência. Quase uma ironia...

Quando retornei do meu transe momentâneo, percebi a curiosidade do seu olhar, como se ela tivesse deduzido os meus pensamentos, e nesse instante creio ter havido um lapso de extrema intimidade entre nós, que permaneceu velado naquele encontro de olhares, porque logo tratei de me corrigir e retomei os deveres do ofício, explicando-lhe o que dizia a lei sobre os regimes matrimoniais de bens e as consequências de cada um numa eventual separação.

- Espero que eu tenha esclarecido suas dúvidas.

- Esclareceu sim. Foi muito bom ter vindo aqui - dizendo isso com uma certa ambigüidade de sentido, como se o encontro tivesse sido mais interessante do que a consulta em si. Ou eu quis entender assim. Vai saber...

- Fico a sua disposição, quando necessitares - o que me esforcei para dizer da maneira mais séria e profissional que pude.

Ela deixou o cheque dos honorários sobre a mesa, levantou-se e abriu um lindo sorriso, que quase me impediu de levantar da cadeira para despedir-me dela, num aperto de mãos quentes.

- Muito obrigada pela orientação, me ajudou muito. Vou pensar a respeito e falar com, você sabe, com ele. Talvez eu, a gente volte a lhe procurar sim. Tchau!

Acompanhei-a até a porta e voltei para minha mesa. Sentado, ainda sentindo o seu perfume na sala, pensei no que poderia significar a comunicação sensorial que tivemos naquele rápido instante. Desejo? Interesse? Curiosidade? Mas, mesmo que significasse algo, do que adiantaria se ela estava para se casar, fosse lá o motivo que fosse, e eu não estava disposto a relações complicadas, sobretudo envolvendo terceiros. Ou, pelo menos, achava que não...


(continua)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mestrado UNR Rosário


Concluídas as aulas do Mestrado em Direito Privado na Universidade Nacional de Rosario, Argentina, que iniciei em abril de 2011, paro pra refletir como foi desafiador o que me propus a fazer. Encarar um mestrado num outro país, com um domínio relativo da língua e sendo o único brasileiro, sem muitas informações sobre o curso, a própria faculdade e a cidade de Rosario, pode ser visto como algo intempestivo mesmo, meio se jogar pra ver. Tanto é assim que no primeiro módulo de aulas minha idéia foi ir, conhecer e, se fosse o caso, não voltar mais. Mas, já nas primeiras aulas, deu pra perceber a seriedade do curso e a excelente qualidade dos professores, além da imediata identificação com nossas universidades públicas - no caso a UFRGS, única que conheço -, tanto pelo maior prestígio quanto pelo descaso com a estrutura física do campus. O desafio do idioma, por sua vez, foi amenizado pela compreensão e simpatia dos colegas e professores, em especial pela diretora do curso e notável Dra. Noemi Nicolau. A turma foi algo à parte, que me fez repensar minhas amizades e o cultivo delas. Rapidamente fiz bons amigos, daqueles que se faz questão de manter contato mesmo fora das semanas de aula, desde minha casa a países distantes como Paraguay e Colômbia. Talvez o fato de virmos todos de fora de Rosario e termos que nos virar aí com as coisas do curso e do dia a dia, nos fez muito mais receptivos e solidários uns com os outros, o que em meio a tanta gente boa facilitou que nos fizéssemos colegas de aulas, almoços, jantares e, claro, de muitas "cervezas". Tenho certeza de ter feito aí amigos pra vida toda, que quero ir visitar e recebe-los em minha casa. Me livrei dos preconceitos inevitáveis, para um brasileiro pouco conhecedor da Latinoamerica, sobre como são e como vivem meus colegas advogados desses países, inclusive os argentinos, que confirmaram minha impressão tão positiva sobre eles - ok, não estou falando dos portenhos -, pelos amigos que já tinha no país. Agora tenho uma idéia muito melhor de como se vive em Asunción, Medellin, Montevideo, Salta, Ciudad de Mexico etc., e grande vontade de conhecer esses lugares. Sobre o curso em si, tive aulas excelentes, recebi muita orientação sobre como enfrentar a dificil tarefa de concluir uma tese, conheci a Teoria Trialista do Direito que se desenvolveu na Argentina, graças à vinda de Goldschmidt para esse país e, depois, com seu maior discípulo Dr. Ciuro Caldani, fundador da carreira de mestrado na UNR, a quem tive o privilégio de assistir a uma conferencia e de cumprimentá-lo pela admiração que me causou. Ainda tive a sorte de eleger um orientador que, além de professor e grande conhecedor de direito societário, me revelou ser um amante da música brasileira de Vinicius, Jobim e outros de nossos melhores representantes. Com isso, obviamente, a identificação foi imediata e também aí surgiu uma boa amizade. ¡Gracias Dr. Juan Pablo Orquera! Sobre a cidade de Rosario, bem, só posso dizer que eu moraria aqui para seguir aproveitando suas ruas, prédios, cafés e restaurantes, os bares, a gente agradável e, sobretudo, sua costaneira junto ao Rio Paraná, lugar ideal pra caminhar e curtir o final de tarde. Recomendo conhecer! Bueno, estou certo de que voltarei outras vezes a esta cidade e, se Deus quiser (e eu conseguir), à UNR para defender minha tese e me tornar um magister por essa importante Faculdade de Direito. Hasta luego Rosario...