segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Onde anda o rock brasileiro?

O rock brasileiro acabou? Certo que não. Mas que perdeu quase todo o seu espaço na mídia, não há dúvida. E por quê?


Pois é, em entrevista que li esses dias, o Samuel (vocalista do Skank) levantou uma questão interessante: que a atual cena rock brasileira não reivindicou e por isso perdeu seu espaço na vitrine musical do país, seja por medo ou por desinteresse. O fato é que, por isso, o rock nacional ficou reduzido a umas poucas bandas teen de som padronizado.

Realmente, olho um pouco para trás e vejo uma banda como Los Hermanos, que por certo tempo teve a hegemonia do rock Brasil, mas que parece ter feito a opção por permanecer na cena independente e escapar da grande mídia. Escolhas próprias à parte, o efeito disso foi a ocupação desse espaço por outros segmentos musicais, especialmente o sertanejo, que ganhou todo o campo possível e hoje domina massivamente o cenário musical brasileiro, desde a tv e rádio até os bares e clubes onde se toca música ao vivo.

Mas somos todos caipiras? Eu não, e acho que muita gente mais também não...

Não podemos nos esquecer que a economia influenciou decisivamente essa mudança de paradigma "artístico", ao fazer com que milhões de brasileiros ascendessem à classe C e passassem a consumir, inclusive, música - a seu gosto, obviamente -, levando naturalmente à explosão comercial do sertanejo.

O problema, como o mesmo Samuel refere na entrevista, é que deixamos de encontrar alternativa na mídia comercial, o que deixa de estimular o surgimento de novos ouvintes de rock & pop de melhor qualidade (blues, jazz etc., então, nem se fala), e, com isso, de novos músicos e artistas que levem adiante esses estilos musicais.

Enfim, a meu ver, o resultado de toda essa concentração de atenções num único segmento musical, por si só já pobre, é a mediocridade da atual cena musical brasileira e o temor de sua perpetuação...infelizmente.

domingo, 16 de setembro de 2012

Você ainda se emociona?


Quem ainda se emociona hoje em dia? 

Somos diariamente bombardeados por uma mídia materialista, que nos impele a comprar todo o tipo de coisa e a sermos ricos, bonitos e bem sucedidos. Por notícias que banalizam a violência e revelam a pouca valia da vida humana. Vivemos um dia-a-dia repleto de prosa, e quase nenhuma poesia. 

Então, pergunto, você ainda se emociona? Com o que? Com qualquer coisa, por menor que seja, capaz de tocar sua sensibilidade e lhe causar alguma emoção. Pode ser o trecho de uma música, um comercial de tv, a palavra de um amigo, a lembrança de uma noite que não se esquece, o rubor de quem lembra dessa noite, um reencontro muito esperado, uma data importante, um pôr do sol no meio do trânsito, coisas mais ou menos piegas, previsíveis, óbvias ou não, mas que por um lado ou outro da nossa particular maneira de interagir com o mundo nos deixa sensíveis a alguma emoção.

A verdadeira ignorância, tenho certeza, não está na falta de intelecto e cultura. A ignorância que deixa o olhar sem expressão, que torna as pessoas monossilábicas e rudes, que assusta pela crueldade de atos impensáveis, enfim, que retira toda e qualquer humanidade de alguém, é a ausência da capacidade de emocionar-se, porque é isso, e não o raciocínio, que nos difere dos animais.

A emoção, que resulta do colocar-se sensível a algo externo a nós mesmos, é o que permite existirem as virtudes e, ao final e sobre tudo, o próprio Amor, universalmente aceito como o bem maior.

Então, se você se enternecer por um momento que lhe pareça bonito, meu amigo e minha amiga, parabéns!, você está exercendo sua humanidade – mesmo que outros digam que isso é viadagem, TPM ou crise de meia idade, afinal, o mundo está mesmo cheio de gente insensível...hehehe.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O político de ocasião

Impressionante como tanta gente descobre sua "vocação" política na época das eleições. De uma hora pra outra, o sujeito se dá conta que é ideologicamente engajado a um partido político e que tem todas as condições e idéias necessárias para a melhoria de vida da comunidade. Então, se lança candidato a vereador. Tá certo que o salário é bom e o trabalho é pouco, mas o que o motiva "realmente" é sua firme convicção de que pode fazer mais por todos nós. Até há pouco, o cara não colaborava nem com festa de igreja, não ia a reunião de condomínio, sequer lia as notícias políticas da cidade e do país...agora, é como se tivesse nascido pra conduzir o povo até as soluções de todos os problemas locais. Bom, meu amigo, só não espere que eu caia nessa, porque eu não vou votar pra ver!