segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dica de filme: O Exótico Hotel Marigold



Assistimos nesse último final de semana ao filme "O Exótico Hotel Marigold", que posso recomendar não como uma obra-prima ou de grande impacto, mas sim como um filme bonito porque ambientado na Índia, mostrando um pouco dos costumes e da vida urbana nesse país tão exótico, e principalmente por passar uma bonita mensagem de que a idade e os fracassos não impedem novos rumos, recomeços e amores, ainda mais quando a história é contada por um elenco de tamanha qualidade...vale a pena!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Acaso?

Nada é por acaso, mesmo!, a não ser o que não tem importância...e olhe lá!

domingo, 20 de maio de 2012

Mudar, sempre!

Muitos pensam que passamos a vida toda sendo sempre as mesmas pessoas. A meu ver, mudamos a vida toda sendo sempre as mesmas pessoas. Acontece que, aqueles, parecem resistir em aceitar isso para si mesmos. Acreditam que a essência humana é imutável, assim como nossos valores, princípios, certezas, e daí porque pensam que continuarão sendo quem sempre foram. Penso, por aquilo o que vivo e observo, que mudamos sempre porque a vida nos impõe a isso e não conseguimos ficar impassíveis diante dela e das histórias pessoais que protagonizamos - na maioria das vezes, improvisando. As causas de nossas constantes mudanças advém de nossas frustrações, perdas, vitórias, sentimentos e impressões daquilo o que vai nos acontecendo durante o caminho, levando-nos a mudar de direção, opinião, pensamento e desmistificando nossas "sólidas" verdades absolutas sobre tudo e todos. Coisas acabam, outras começam, e saímos sempre diferentes do que quando entramos. De filhos, passamos a pais. De solteiros, a casados. Crianças, adolescentes, adultos e idosos: sempre as mesmas idéias, princípios e interesses? As dúvidas são resolvidas por respostas que geram outras dúvidas, e nossa opinião varia como um pêndulo. Ah, a suas opiniões são firmes como rochas?! Então, talvez, você não as esteja pondo à prova, ou esteja cometendo muitos erros por causa delas. Quem resiste à mudança de si mesmo pode estar ignorando as circunstâncias que a justificam, ou iludindo-se quanto a seu efeito por razões de comodismo, temor ou soberba. Mudar é praticar a racionalidade própria de nossa espécie, ao invés de seguirmos o curso dos instintos animais repetidos desde sempre. É ser sensível frente ao novo e aceitá-lo, ou adaptar-se a ele, sem pretender desafiar sua força inexorável. É perceber que algo está errado e não vai bem, exigindo novas decisões porque as velhas não se aplicam mais. É ser, humano... Sempre preservaremos, em maior ou menor medida, o discernimento sobre o certo e o errado, virtudes e defeitos característicos de nossa personalidade, decorrentes de nossa educação e modo de ver o mundo. Também é pouco provável que nos tornaremos extremos do que somos - de honesto a marginal, de pilantra a modelo de conduta. Mas até isso pode acontecer e exemplos não faltam. Como disse o Fernando Pessoa "não nos banhamos duas vezes no mesmo rio" - ele não será mais o mesmo, nem nós... O quanto nos distanciaremos de quem somos talvez dependerá do quanto precisaremos mudar para encontrarmos quem realmente somos. Então, não tenha vergonha de mudar, porque o pior é deixar para assumir suas mudanças quando elas não fizerem mais diferença na sua vida. Um novo trabalho, um novo lugar pra viver, um recomeço, uma nova relação, uma grande vontade, tudo isso pode trazer medo, insegurança, mas também traz novas oportunidades de se ser alguém melhor e, quiçá, mais feliz. Provavelmente este texto não mudará a vida de ninguém, mas pra sintetizá-lo com algum brilho, em especial aos que não aceitam conjugar o verbo mudar,  termino ele com a citação clássica de um velho sábio grego que há muito sacramentou: "Nada é permanente, exceto a mudança" (Heráclito).

quarta-feira, 16 de maio de 2012

BUDDY GUY'S BLUES IN POA!

A noite de ontem, 15/05, foi especial por poder assistir, junto com o meu irmão Filipe, ao show da lenda viva do Blues de Chicago Buddy Guy. O cara que, junto com B.B. King, é um dos monumentos vivos do Blues, influenciou nomes como Eric Clapton e Jimmy Hendrix, e ontem deixou extasiada a platéia de amantes do estilo reunida no Bourbon Country.

Segue abaixo os comentários e imagens do Blog do Grings, que mostram em detalhes os tantos pontos altos da noite.

Thank you Mr. Blues Buddy Guy!

Buddy Guy / Teatro do Bourbon Country, terça-feira, 15 de maio de 2012

16 de maio de 2012 2
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Foto: Fábio Codevilla
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Buddy Guy enfeitiça público gaúcho

21h. Você sabe que o homem que pisará no palco do Teatro do Bourbon Country em instantes é uma Lenda. Ele trabalhou ao lado de nomes como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Willie Dixon, e outros tantos “Peixes Grandes” do blues. Impregnou-se de todas aquelas mágicas canções e seguiu em frente, sacolejando no trem do tempo & sobrevivendo aos altos e baixos de sua carreira ao longo dos anos. Prestes a completar 75 anos, Buddy Guy passou no teste do tempo. E, além disso, aceitou receber o Cetro em suas mãos - como um autêntico portador do Legado dos Velhos Tempos, e o melhor: - ainda na ativa, quase sempre encantando multidões com uma guitarra endiabrada. Antes já havia seduzido nomes como Jimi Hendrix, Eric Clapton e milhões de meros mortais ao passar das últimas cinco décadas. Atualmente, catequiza novos seguidores a cada show.
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Fábio Codevilla (Itapema FM) editou um vídeo-drops da noite. Veja a galeria de fotos do Codevilla no site da Itapema.
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21h10min. Guy entra no palco. Ele é o cara e a Cara do blues. Você sabia que o show começaria com “Nobody understands Me But My Guitar”, um velho blues da dupla Cristian/Holmer. No início o som de sua guitarra soa cristalino, límpido, para logo após, assemelhar-se a algum de pássaro agonizante, uma espécie de animal preso a alguma armadilha. Entre um bend e outro, Guy toma um gole de uma xícara branca sobre seu amplificador. O homem é só sorriso. Você já está em estado de graça.

“Hoochie Coochie Man”, velho standard composto por Willie Dixon que Muddy Waters roubou pra si, ganha um arranjo extremamente macio no início da execução. Entra em campo a velha dinâmica do blues, tanto que Guy canta a segunda parte da música longe do microfone (Etta James adorava cantar desse jeito), e por isso ele pede silêncio com o dedo na frente da boca "tssssssssss!!!". Só então conseguimos ouvir cada sussurro que sai de sua garganta. A guitarra pode ser tocada de várias formas: ao contrário, com as cordas roçando contra sua roupa e produzindo ruídos que dialogam com o tema. O instrumento é uma extensão de seu corpo, certas vezes até se projeta como um objeto fálico. Ele brinca. A plateia ri. Buddy deixa a segunda parte do solo para o guitarrista Rich Hall, que também dá uma de acrobata como um dos Globetrotters girando sua bola de basquete. Só que é a guitarra que rodopia bem na frente de você e seus olhos incrédulos.

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Foto: Lucas Cunha
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Outro velho Cavalo de Batalha de Muddy Waters, “She’s Nineteen Years Old”, mostra o quão sexy Guy pode soar no palco. Sua versão preferida era uma ao vivo de Muddy com Little Walter na harmônica. Era. Depois dessa noite, nunca mais você irá separar os acordes dessa canção com a imagem de Buddy Guy. A conotação sexual da letra toma dimensões ainda mais palpáveis quando o guitarrista crava o olho numa loirinha na linha de frente da audiência e canta algumas estrofes diretamente pra ela. Velho safado!

Quando ele e a banda tocam uma das canções do álbum “Slippin’ In (1994), há uma clara demonstração de que o público do Bourbon Country conhece suas músicas. Guy provoca os espectadores a cantar o refrão - a massa responde de pronto: “Oh Someone else was slippin' in”. O showman rebate: “I Love Brazil”. Aplausos ao homem! Guy faz um duelo satírico com o tecladista Marty Sammon, que em alguns momentos emula o Hammond de John Lord, do Deep Purple. Sim, é um show de blues, mas há momentos que a festa esquenta e o blues naturalmente se maquia de seu rebento mais novo. Vale reprisar o bordão:” O blues teve um filho e o nome dele é rock’n’roll”. O finado Ike Turner que o diga!
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Foto: Lucas Cunha
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A próxima atração do set é “Fever”, música composta por Eddie Colley e John Davenport, que ganhou o mundo em 1953 com a cantora Peggy Lee. A versão de Elvis também vale a pena ser mencionada. E é justamente o Rei do rock que lhe vem à mente quando Guy começa a cantar baixinho frente a microfone como um amante seduzindo seu objeto do desejo. Você sorri quando Guy finaliza o tema a capela, com todo um repertório de sussurros, gemidos e clichês blueseiros que deixam o público enfeitiçado. O blues sempre te deixou assim. Em transe.

Emendando um som no outro, lá vem mais um número do compositor Willie Dixon “I Just Want Make Love To You”. O baixista Orlando Wright sorri para o ‘Boss’ e jinga o corpo de leve com um embalo metódico como o tique-taque de um relógio. Dá pra você perceber que Guy não larga o osso de algumas canções básicas de um bom show de blues, e também cai a ficha pra você da importância de Willie Dixon na vida do guitarrista e de vários nomes da música negra. Dixon mereceria uma estátua em algum lugar dos Estados Unidos. Quem sabe em frente ao velho estúdio do Chess Records, onde trabalhou tantos anos, e aonde o próprio Guy, muitas vezes bateu papo com ele durante os intervalos das gravações, pegando as manhas do “negócio”, entre um cigarro e outro. No final ele faz um medley com alguma outra canção que você não reconhece. Essa é outra das pautas da noite: pequenos recortes (vinhetas) que interligam músicas, e pagam tributo a vários amigos compositores.
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Foto: Lucas Cunha
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“74 Years Old” é um dos sons de “Living Proof”, álbum de 2010 que ainda é seu último registro fonográfico. É sem dúvida um dos melhores músicas do CD/LP. Guy soa reflexivo, tranqüilo, como se contasse os cobres e percebesse que sua vida ainda tem muita lenha pra queimar. Você chega a conclusão que caras como Buddy parecem intermináveis, indestrutíveis, únicos. E que som vaza de seu ampli. “Down Don’t Bother Me” é o momento em que Buddy Guy desce do palco e passeia pelo Teatro. O público delira, filma, toca nele, chora - se debruça sobre suas cadeiras esticando o pescoço, ou levantando para que possa percebê-lo em todas as nuanças e bem de pertinho. Vitor Cesar (um de seus brothers e guitarrista de blues/rock) o persegue pelo corredor como um apóstolo correndo atrás do Messias. Uma lágrima escorre do rosto de Vítor, justamente quando o garoto fica olhos nos olhos com o ídolo. Buddy não tem medo de se infiltrar na massa como um de vocês. E você conclui, além de talentoso, Buddy Guy é um cara legal.
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Foto: Lucas Cunha
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Logo depois vem mais um daqueles recortes-tributo: Numa tacada só você ouve um medley de “Use Me” (Bill Withers), “Rock Me Baby” (B.B. King) e “I Miss You” (Rolling Stones). Ele troca de guitarra em “Skin Deep”. A música que dá nome ao álbum de 2008 - é uma das melhores baladas de Buddy Guy. O tecladista Marty Sammon faz o único (e belo) backing vocal da noite. "Que música bonita", você pensa...

Aí vem outro mash up de homenagens. Assim como os ingleses levantaram a bola do blues nos anos 1960, Guy homenageia o amigo Eric Clapton em uma releitura adocicada de “Strange Brew”, do Cream. Um americano devolvendo a bola pra Terra da Rainha. Bacana. Depois voltar a mostrar seu repertório de malabarismos em “Voodoo Child (Slight Return)”, tema do falecido pupilo Jimi Hendrix. E você lembra que muita gente não sabe, mas todo esse lance de exibicionismo cênico com a guitarra começou com músicos como Buddy Guy. Foi depois de ter assistido o Mestre, só então, Hendrix começou a tocar com os dentes, tocar de costas, com a bunda (sim!) e sabe-se lá de que outra forma mais. O riff de “Sunshine of Your Love”, por exemplo - é executado com uma flanela dando bordadas nas cordas. Acreditem: o homem é um mago! Já beirando o fim do espetáculo ele tocou um som que homenageou o velho parceiro Junior Wells (falecido em 1998), que você pede desculpas aos leitores, pois não reconheceu (não lembra) o nome da música. Enfim, coisas de uma noite emocionante...
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Foto: Lucas Cunha
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Chegamos ao epílogo. A versão instrumental de “Let the Doorknob Hit Ya” serve apenas como pano de fundo para que Buddy distribua seu afeto entre a turma que avança ao palco. Autografa LPs, CDs, ingressos, ele joga quase uma centena de palhetas para o público e após cinco ou seis minutos de confraternização com os fãs gaúchos, finalmente sai de cena às 23h40min. 1h e 1/2 de espetáculo pra ficar na memória. Os shows no Rio, SP e Porto Alegre, foram seu aquecimento para o tour 2012. Daqui a três dias ele começa a turnê norte-americana. Próximo sábado Buddy toca no Smith Center, em Las Vegas. Você parece aprisionado a noite passada. 15 de maio de 2012, o dia em que você assistiu a lenda.
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Agradecimentos: Andressa Griffante (OPUS), Fabiano Dallmeyer, Lucas Cunha e Fábio Codevilla (Itapema FM).
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Banda:
Buddy Guy (guitarra, vocal)
Rick Hall (guitarra)
Marty Sammon (teclado)
Orlando Wright (baixo)
Tim Austin (bateria)
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Buddy "Hoochie Coochie Man" Guy Foto: Fábio Codevilla
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Com pinta de rapper ou jogador de basquete, Rich Hall (guitarra) - um guitarrista de blues e sideman de Guy Foto: Fabiano Dallmeyer
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Em cena a elegância de Orlando Wright (baixo). O músico já tocou com Sugar Blues, Junior Wells, The Staples Singer e Phil Guy. Foto: Fabiano Dallmeyer
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Mestre de cerimônias e tecladista. Marty Sammon. Trabalhou com Eddie C. Campbell, Clarence "Gatemouth" Brown e Phil Guy. Foto: Fabiano Dallmeyer
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O "peso pesado" das baquetas, Tim Austin (B.B. King e Phil Guy) Foto: Fabiano Dallmeyer