domingo, 28 de agosto de 2011

VARIAÇÕES SOBRE UM ROTEIRO DE FAROESTE

Take 1 – O forasteiro chega à cidadezinha perdida no Velho Oeste americano. Empurra vigorosamente ambos os lados da porta do saloon, pisa forte o chão de madeira com suas botas e o ruído metálico das esporas, chamando a atenção dos pistoleiros, jogadores, dançarinas, o velho do piano e o barman, que se voltam para o intruso e o ouvem dizer com sua voz gutural, sob a aba do chapéu empoeirado:

- Tem Fanta uva?


Take 2 – ... e o ouvem dizer:

- Troca 50?

Take 3 - ...e o ouvem dizer:

- Eu podia estar roubando, eu podia estar matando...

Take 4 - ...e o ouvem dizer:

- Alguém aí tem uma vela de Fusca pra me emprestar?

Take 5 - ...e o ouvem dizer:

- É aqui o De Volta pro Futuro 2?

Take 6 - ...e o ouvem dizer:

- Sabe onde mora o Abreu?

Take 7 - ...e o ouvem dizer:

- O quê que eu tô fazendo aqui?

Take 8 - ...e o ouvem dizer?

- Rodeio de Barretos?

Take 9 - ...e o ouvem dizer?

- Só tem veado!

Take 10 - ...e o ouvem dizer:

- 不同尋常的是香料的日常生

(*traduzindo: o inusitado é o tempero do cotidiano)


Explorando os limites do ócio criativo...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fatos e fotos Moenda 25 Anos

Veja no link abaixo imagens e textos sobre a edição de Jubileu de Prata do Festival Moenda da Canção, ocorrido no último final de semana:

http://www.cantadoresdolitoral.com.br/e/m/m25/m25.htm

sexta-feira, 19 de agosto de 2011




É TEMPO DE MOENDA! 25 ANOS DE BOA MÚSICA!

domingo, 14 de agosto de 2011

Fernanda de Beauvoir

Voltando do Theatro São Pedro depois de ter tido o privilégio de assistir, de pertinho, Dona Fernanda Montenegro interpretando um monólogo sobre a vida de Simone de Beauvoir e sua relação amorosa com Sartre. Por uma hora, a grande atriz brasileira hipnotizou toda a platéia passando-se pela polêmica escritora francesa. Domínio pleno da arte de representar, aproveitando um texto rico sobre a vida desse casal tão avante de seu tempo. Sem dúvida, um momento inesquecível ver uma presença tão forte no palco, onde já havia visto o igualmente inesquecível Paulo Autran. Momentos assim justificam a mensagem que dá nome à peça: "Viver sem tempos mortos".

*Pra quem quiser saber mais sobre a relação pouco convencional de Sartre e Bouvoir, sugiro o excelente livro "Tête a Tête: Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre", de Hazel Rowley." - recomendo!

domingo, 7 de agosto de 2011

Arte & subversão

A polêmica da semana aqui nos pagos foi o processo movido contra o músico Tonho Crocco (Ultramen) por um deputado estadual que se sentiu ofendido com a música "Gangue da Matriz", que critica o aumento de 73% (!) auto-aplicado pelos legisladores gaúchos e faz um paralelo com a famosa gangue de jovens violentos que moravam em torno da Praça da Matriz nos anos 80, onde se encontra a Assembléia Legislativa Estadual.

Sem entrar no mérito sobre se a crítica contida na música procede ou não, ou sobre o conflito entre a liberdade de expressão e a censura da obra - já bastante discutidas -, o que me anima é ver um artista de expressão ainda se preocupar em usar sua arte para protestar. O protesto político ou social através da música parece ser algo demodé hoje em dia (exceção feita ao Rap), em que o meio musical voltado ao grande público - com raras e ótimas exceções - está preso num esquema puramente comercial, ao qual não interessa polemizar ou levantar bandeiras, mas sim vender o "produto" ao maior público possível dentro do segmento visado.

Concordo que um dos papéis da arte - e talvez o principal -, aí incluindo a Música, seja subverter o estado atual de coisas, para que as pessoas se desacostumem a olhar as coisas e pensar sobre elas de uma mesma forma, ou então para difundir uma mensagem crítica, um chamado, um tapa sonoro que, como um hino em tempos de guerra, o impelem a sair do conformismo ou a pensar criticamente.

Mas quem são os nossos atuais artistas subversivos? O nosso Chico Buarque da hora? O cara que leva alguma crítica pras suas músicas é de pronto tachado de comunista, antigo ou chato. E muitas vezes é isso tudo, porque é alguém de outros tempos que segue batendo na mesma tecla, contrastando com a falta de coro para suas causas nas novas gerações.

Mas, enfim, é só pra desabafar. Pra quem cantou "Que país é esse?", "Burguesia" e "Bichos Escrotos" tempos atrás, e que sabia o que essas músicas significavam, às vezes incomoda o fato de girar o dial e só encontrar músicas sem qualquer significado...