sábado, 29 de maio de 2010

Artes


Sou um grande desconhecedor das artes em geral. Mas depois de ter tido a oportunidade de ver pinturas originais de Monet, Degas, Picasso e sobretudo Van Gogh, senti um pouco do quanto a arte é capaz de impactar as pessoas. E arrisco a dizer que esse é seu objetivo atualmente: chamar a atenção, provocar, mesmo que seja através do absurdo da proposta do artista. Quem já não olhou para uma dessas instalações malucas ou para um respingo de tinta numa tela e questionou, arte? Pois é, numa Revista Época recente havia uma reportagem sobre uma menina de 3 anos que, pintando ou misturando tintas, já estava vendendo quadros pelo equivalente a R$ 50 mil (!). E, como era de se esperar, havia um crítico pra afirmar que a obra da criança não era nenhuma brincadeira não, possuía "consistência estética". Também por esses dias, foi notícia o leilão recorde do quadro Desnudo, Hojas Verdes y Busto de Picasso por US$ 106 milhões. Quem olha a imagem valiosa do retrato de Marie-Therese, amante do pintor espanhol, provavelmente não vá entender como uma pintura aparentemente simples possa valer tanto - coisa que também não sei explicar. A questão aqui é que, diferentemente da menina, o pintor espanhol foi mesmo um revolucionário ao buscar mostrar a realidade como ele a via, ou como o próprio dizia, "quero o mais real do que o real", no seu estilo até então único de ver as coisas. O que Picasso com certeza conseguiu, a ponto de mudar a história da Arte e permitir que, hoje, todos possam retratar a realidade como lhes parece ser. Mas e pra quem, como eu, fica tantas vezes sem entender a idéia do artista? Bem, resta o consolo de saber que o propósito também pode ser esse, pois como dizem os entendidos, a função da arte é desafiar e combater o lugar-comum, o estabelecido, aquilo que nos achamos capazes de explicar. Salve Picasso!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Contribuições alheias

Olhem só, o blog recebeu sua primeira contribuição alheia, com o Filipe mandando um texto bacana sobre um assunto corrente por aqui. Tá certo que é irmão, mas vale...hehe. Se outros corajosos quiserem, também podem mandar os seus textos para o meu e-mail que eu vou postar (Murilo).

Venho dar meu pitaco neste espaço cultural eletrônico mantido por meu amigo e irmão Murilo para falar sobre um assunto que é de nosso interesse comum, assim como de muitos dos seguidores deste blog: a sensação de assistir a um grande show de rock.
Aliás, devo aqui fazer justiça ao fato de que muito da paixão que tenho, hoje, pelo Rock and Roll e, principalmente, pelos grandes espetáculos musicais, se deve à influência sofrida em casa, pelo próprio Murilo, inclusive. Isto porque fica muito mais fácil de se aguçar o gosto musical quando se tem à disposição, em casa, desde piá, discos clássicos que iam do velho rock inglês (Stones!), passando pelos pais do Blues americano e pitadas de Rock nacional, ainda em efervescência.
Mas, ultrapassada a “puxasaquice” inicial (necessária para que o mantenedor do blog publique o texto) vamos ao tema central do post.
É difícil descrever a exata sensação que toma o espectador quando presencia um intenso show de rock, ainda mais se à música somam-se outros aspectos (visuais, sentimentais, etc.).
O grande Ozzy Osborne, frontman da fase clássica do Sabbath, disse, certa vez, que se fosse possível canalizar em uma droga o sentimento vivido num grande concerto de rock and roll, tal substância seria insuperável e extremamente viciante.
Apesar de completamente louco, concordo com o velho Ozzy.
Acredito que poucas sensações se comparam àquela sentida no momento em que sua (s) banda (s) preferida (s), pela qual você esperou muito tempo para ver ao vivo, sobe no palco e lança os primeiros acordes daquela música.
A vibração da multidão, adicionada à intensidade musical produzida pela banda, é simplesmente sensacional.
Felizmente, já tive a oportunidade de assistir a grandes grupos do cenário mundial. Alguns, por óbvio, marcam mais que os outros. Há casos, também, em que o show acaba sendo decepcionante, seja pela organização do espetáculo, pelo local escolhido ou mesmo pela própria banda, que não mostra a pegada necessária para levantar a galera.
Para mim, três shows até hoje foram insuperáveis: Stones em Buenos Aires, 2006 (os hermanos são f* no quesito rock and roll.), AC/DC em Sampa (clássico!) e Red Hot Chilli Peppers em POA, 2002 (uns 90º no Gigantinho e um show empolgante).
E para vocês, qual aquele show que não sai da memória?

Filipe de Souza

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Seguindo em frente

Sempre olhei com certa desconfiança as pessoas que se portam muito seguras de si, esforçando-se em demonstrar o quanto são corretas, sérias e imunes a erros, simplesmente por se manterem distantes de qualquer possível ameaça ao seu aparente equilíbrio. Por outro lado, sempre tive simpatia por aqueles que não escondem suas fraquezas, assumindo sua vulnerabilidade, seja para conviver com ela seja para superá-la numa luta aberta. Acredito muito mais em alguém que se expôs, viveu e superou situações difíceis do que quem se defende simplesmente se esquivando delas. Essas pessoas tidas como fracas, para uma sociedade que cultua a excelência em tudo, podem sim fazer muito mal a si mesmas, e quando isso acontece também acabam afetando outros a seu redor – o que não é nada agradável. Mas ao enfrentar suas dificuldades, muitas delas saem fortalecidas dessas batalhas consigo mesmas e com o que lhes prejudica. Isso as enriquece, dá motivos para seguirem em frente e evitar a próxima recaída. Afinal, penso que todos estamos sujeitos a fraquejar e a recair, inclusive aqueles primeiros, tão seguros de si, mesmo que não admitam isso. Pra eles, vamos de Fernando Pessoa:

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
(...)
Toda gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...
(...)
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”

(Trechos do “Poema em Linha Reta”)

*Post dedicado a meu amigo que saiu da clínica

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Adeus ao Stone gaúcho


Notícia triste para o cenário musical gaúcho nessa 4ª feira, 19/05: morreu Bebeco Garcia. Pra quem não sabe (!), trata-se do vocalista da Garotos da Rua, uma das primeiras bandas a abrir as portas do mercado nacional para o Rock RS. Algumas músicas se tornaram clássicas. “Lá em casa continuam os mesmos problemas//lá em casa continuam me perturbando//lá em casa continuam enchendo o sáááco”, e outra “Meu coração não suporta mais, viver assim tão descompassado//não entendo por que razão, mas você não está do meu lado”.Lembrou agora? E tanto na estampa e postura, como no som, eu considerava o cara o verdadeiro Stone gaúcho. E fiquei mais convencido disso depois de ver um reencontro da Garotos no Joe’s Pub, em Imbé, uns dois anos atrás. É uma pena e uma perda, mas ficaram as músicas, que como ele deve ter cantado muitas vezes it’s only rock’n roll but I like it...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Reflexão de antesala de hospital

Na espera para visitar a nossa querida Dona Ivone no hospital, e depois de ler o que a Martha Medeiros escreveu em sua coluna sobre o desejo, fiquei pensando: talvez o melhor lugar para falar sobre desejo seja uma antesala de hospital, vendo pessoas se esgueirando de doenças ou sendo por elas abatidas. Isso porque, nesses lugares, o desejo encontra sua redenção. Normalmente, nós o tratamos como um vilão, um bandido que pula a janela de nossas casas segura e nos rouba o bom senso, vilipendia nossa moral e nos expõe ao maior de todos os perigos: o prazer. Mas aqui, na antesala do hospital - também a antesala do lado de lá, digamos assim -, o desejo cobra a conta das vezes em que foi renunciado. O arrependimento daquilo que não se fez porque não era o "certo" fazer insiste lembrar que sua vida resultou menor por isso o que não foi vivido, saboreado, desfrutado, enfim, sentido... E não adianta querer justificar-se pelo atendimento a regras sociais, legais, morais ou mesmo financeiras - todas, nessa hora, mais ou menos banais. Ali, a existência faz o balanço de toda sua potencial intensidade, e lamenta dolorosamente a falta dela como um desperdício. Nesse momento extremo, o desejo passa a ser a medida de uma vida bem ou mal vivida. Mas, só pra concluir, o desejo de que eu falo não é o da atração física (embora não o exclua). Falo daquele ideal mais amplo de poder viver aquilo o que faz com que cada um, de diferentes formas, se sinta bem, seja realizando sonhos, estando com quem gosta, viajando pelo mundo, tomando uma cervejinha com amigos etcetc. A Dona Ivone, graças a Deus, está voltando para a casa dela, para os seus poemas, o seu jardim, o seu aperitivo e para o convívio com a sua família. Com toda certeza, estará realizando mais esses desejos em sua vida...

Ah, um trecho da crônica da Martha Medeiros que inspirou o post (ZH dominical de 25/04/10):

"Extra, extra, só existe o seu desejo. É o desejo que manda. Esse troço que você tem aí dentro da cachola, essa massa cinzenta, parecendo um quebra-cabeças, ela só lhe distrai daquilo que realmente interessa: o seu desejo. O rei, o soberano, o infalível, é ele, o desejo. Você pode silenciá-lo à força, pode até matá-lo, caso não tenha forças para enfrentá-lo, mas vai sobrar o que de você? Vai restar sua carcaça, seu zumbi, seu avatar caminhando pelas ruas desertas de uma cidade qualquer. Você tem coragem de desprezar a essência do que faz você existir de fato?"

terça-feira, 11 de maio de 2010

A seleção brasileira (do Dunga)

Que seleção é essa que o Dunga convocou!?

Só tem jogador-operário!

Na minha modesta opinião, não levar o Ronaldinho e nem o Ganso é não levar também a magia do nosso futebol - e que muitas vezes fez a diferença a nosso favor.

Como falou o Sócrates agora há pouco, depois de dizer que a lista era uma porcaria, "o importante não é o resultado, mas o espetáculo".

Talvez o Doutor esteja exagerando um pouco - ele que jogou na melhor seleção que eu já vi e que não levou o título (82) -, mas a verdade é que a torcida do mundo todo não vai ter muito o que ver do nosso famoso "futebol arte", lamentavelmente.