segunda-feira, 26 de abril de 2010

Grande filme (e argentino!)

Nesse domingo assistimos ao filme "O segredo de seus olhos", argentino dirigido por José Campanella e que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010. O protagonista é o ator Ricardo Darín, que também estrelou o filme anterior do mesmo diretor e igualmente bom "O filho da noiva".

No meio de filmes com grandes tecnologias e efeitos, "O segredo de seus olhos" é um excelente filme que mistura thriller policial, romance e momentos muito engraçados, de uma forma simples mas muito bem enredados na trama.

Pelo visto, além do tango e de memoráveis derrotas para a nossa seleção - desculpem por essa meus amigos argentinos -, nossos hermanos também estão nos presenteando ultimamente com excelentes filmes. Vale!

sábado, 24 de abril de 2010

Parodiazinha

Uma parodiazinha de uma cena da nova novela das 6h.

O gurizão era novato no céu e caminhava no meio daquela fumaça típica do paraíso, juntamente com seu cicerone.

Então, deparou-se com seu avô. Abraços, cascudos carinhosos, apelidos de infância e coisa e tal. Passada a euforia do encontro, o recém-chegado ouve a seguinte reprimenda:

- Mas guri, como é que você me faz aquela m... (antes de concluir o palavrão, ouviu-se um sonoro badalar de sinos). Ops! Bem, você sabe do que eu tô falando...

- Como assim vô, o que você tá dizendo?

- Não te faz de louco! Não esqueça que eu vejo tudo daqui de cima!

- Tudo mesmo? Put... (ouve-se um badalar de sinos mais forte)

- Isso mesmo. Mas explica, você perdeu a vergonha? Você, meu neto! Uma barbaridade daquelas?

- Poxa vô, é que eu me descobri... e o Beto, ai, aquilo tudo, eu não resisti, foi o amor...

- Amor é o car... (sinos ensurdecedores quase não abafaram o grito do avô). Que é isso? Eu falando do porre que você tomou e que causou teu acidente e você me vem com essa viad, quer dizer, com essa coisa de gay? Você Carlos Alberto?

- Ah, então era isso! Bem, vô, pensa que agora você já sabe a verdade e tem que aceitar, afinal, você está no lugar em que a tolerância e o perdão são a regra.

- É, meu neto, nisso você tá certo, mas não esqueça de uma coisa: o Chefe aqui é das antigas, e é Ele que decide se você vai voltar como ser humano ou como uma minhoca. O que, aliás, poderia ser bem apropriado. Talvez passando uma existência como minhoca, saindo e entrando de buracos, você volte a tomar gosto pela coisa - concluiu o avô, irônico.

E os sinos dobraram festivamente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Eu sou do tempo...


Em algum momento da sua vida você agiu ou conviveu com coisas que não sobreviveram ao passar dos anos, mas que de alguma forma o identificam e vão acompanhá-lo sempre...

No meu caso, na primeira vez que eu usei o telefone eu falei o número pra telefonista e pedi a ligação

No meu tempo de pirralho não tinha skate e nem videogame, eu tinha um carrinho de lomba e incomodei muito pra ganhar um telejogo

Eu assisti Ultramen numa TV preto e branco, andava de Brasília (0 km!) e gostava de ouvir a conversa dos mais velhos

Nós brincávamos no colégio de "as gurias pegam os guris", ou vice-versa, e a pegação era brincadeira mesmo - não a que você pode estar pensando

Eu sou do tempo em que meus pais me mandavam ir brincar na rua, porque a rua era só o lugar em que as crianças corriam e brincavam

Eu fui escoteiro - o que hoje deve ser uma coisa próxima a ser um alienígena - e nos acampamentos a gente matava cobras, comia mal e dormia pior ainda, mas achávamos o máximo aquilo que hoje, provavelmente, seria proibido pelo conselho tutelar

Eu sou do tempo em que rolava uma sessão de músicas lentas nas festas, pra estimular, digamos, o "aproach" - e funcionava!

Naquele tempo, o meu maior medo era que o mundo fosse acabar numa guerra nuclear, como o Fantástico alardeava todo o domingo pra gente perder o sono

Eu sou do tempo em que os Trapalhões ainda eram 4, eram muito engraçados e não ligavam pra essa bobagem do politicamente correto: o Muçum era carinhosamente chamado de "negão" e não escondia que gostava de beber um "mézinho"

Eu sou do tempo do Sílvio Santos - o que, o cara ainda existe?!

Enfim, eu sou do tempo em que as coisas pareciam - ou eram mesmo - mais simples. Esse tempo passou e o viver agora é uma constante adaptação a rápidas mudanças, mas acho que estou me adaptando bem, constantemente...

E o amigo leitor, de que tempo é?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Memórias Musicais VII


Quando acabou a Making Of, o Fred e o Mohr partiram pra um projeto de som próprio com outros músicos. Quanto a mim, retomei os contatos com o Alvaro (TSEX) para montarmos uma nova banda, e ele logo lembrou do Ronnie - que, além de uma invejável coleção de guitarras, é um guitarrista de mão cheia. O Ronnie trouxe também o Gaspar, excelente tecladista e grande figura. E o vocalista? O Álvaro e o Ronnie sugeriram o Dudu, irmão do Paulinho (ex-Singles), que já havia tocado com eles tempos atrás e que manda muito bem, principalmente nas músicas em inglês (sem embromation). Tivemos outras tentativas com vocalistas mulheres, buscando um diferencial pra banda, mas a coisa não rolou... Então o Dudu topou a parada e começamos a ensaiar em início de 2008, se não me engano, e logo deu pra ver o grande potencial da banda formada por músicos experientes e com gostos semelhantes na escolha do repertório (basicamente pop-rock internacional). Mas além das distâncias, porque cada um morava numa cidade diferente, todos são muito ocupados em suas profissões, o que dificulta não só os ensaios como também a venda de shows. E a motivação cai muito se não se tem uma sequência de shows pra banda mostrar o seu trabalho. Isso e outras oportunidades profissionais levaram à saída do Gaspar e a um ano de 2008 praticamente sem nenhuma apresentação. Em 2009 a coisa melhorou um pouco, quando fizemos shows em Novo Hamburgo, São Leopoldo e Imbé, o que nos empolgou por ver o quanto a banda pode render, apesar do pouco público nessas ocasiões. Continuamos firmes em fazer a coisa acontecer e temos grandes esperanças pra esse ano, principalmente se encontrarmos um produtor que venda nossos shows... Alguém aí se candidata?
* conheça a Banda Rock Inbox no site: www.bandarockinbox.wordpress.com
** foto da banda em ação no Joe's Pub, em Imbé (dezembro/09)

domingo, 4 de abril de 2010

Letra & Música

Uma canção pop de sucesso - com inúmeras exceções, do tipo Rebolation e coisas desse nível - geralmente é uma boa combinação entre letra e música. Já as músicas excepcionais, a meu ver, possuem letras que se sobressaem. Mesmo simples e diretas, as mensagens que carregam toca as pessoas, embalam romances, inspiram movimentos sociais ou apenas nos fazem sentir bem. Alguém é capaz de negar a devoção a versos de músicas que canalizavam a revolta típica da adolescência? Na minha, que já vai longe, nos identificávamos com petardos como Geração Coca-Cola, Polícia e Another Brick in the Wall, só pra citar alguns. E como não lembrar de músicas que marcaram romances, viagens, festas e outros bons momentos de nossas vidas? Essas lembranças já vêm com aquela trilha sonora... Enfim, eu admiro esses grandes compositores que conseguem passar tamanha força a suas letras, porque só quem já tentou sabe como isso é difícil. Como ouvir Cazuza cantando "disparo contra o sol, sou forte, sou por acaso" e ficar indiferente, ou resistir à provocação de Lou Reed "hey baby, take a walk on the wild side", ou não desejar ter alguém por perto pra cantar "quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama" junto com João Gilberto. Ultimamente, a melhor combinação de letra e música que ouvi foi a de Jorge Drexler em "Todo se transforma", que vale a pena transcrever uma parte:

"El vino que pagué yo
con aquel euro italiano
que habia estado en un vagón
antes de estar en mi mano
y antes de eso en Torino
y antes de Torino en Prato
donde hicieron mi sapato
sobre el que cairia el vino
sapato que en unas horas
buscaré bajo tu cama
con las luces de la aurora
junto a tus sandalias planas
que compraste aquella vez
en Salvador de Bahia
donde a otro diste el amor
que hoy yo te devolvería

Cada uno dá, lo que recibe
luego recibe lo que dá
nada es más simple
no hay otra norma
nada se pierde
todo se transforma"

Como cada um tem as suas letras preferidas, novas ou velhas, fiquem à vontade para "cantá-las" aqui no blog e mostrar como são boas...

sábado, 3 de abril de 2010

Risco e sucesso

Assumir um grande risco pode ser caminho para o sucesso imediato. Aconteceu com o famoso fotógrafo de guerras Robert Capa ao retratar, em pleno front, o exato momento em que um combatente está caindo ao seu lado, vítima de um tiro. Essa imagem revolucionou o fotojornalismo da época, que até então retratava as movimentações de tropas apenas à distância. No caso, Capa estava exatamente ao lado da vítima, correndo o mesmo perigo de morte que ela... Sem dúvida, assumir riscos distingue pessoas, pois a maioria recusa a possibilidade de perda que lhes é inerente, não se deixando seduzir pela possibilidade contrária de ganho. Mas a história é repleta de exemplos de pessoas que se notabilizaram pelas apostas que fizeram no incerto ou no inusitado, movidas por sonhos, crenças ou visões de futuro que não eram comuns aos demais de seu tempo ou eram demais arriscadas aos olhos dos outros. A sociedade evoluiu de tal forma que hoje há uma infinidade de modelos, cálculos e previsões destinadas a calcular o risco, seja no mercado de ações, na metereologia, nos esportes ou mesmo para medir o "risco" de se ficar milionário na megasena. A coragem, ou será ousadia - ou estupidez? - de se arriscar além dos limites tolerados pela prudência, contudo, ainda diferencia pessoas e lhes dá o sucesso onde a maioria recua. Porém, o passo no escuro também engole aqueles que erram ao dimensionar o risco. Logicamente, a melhor maneira de não errar é não fazer nada que possa dar errado, mas que graça haverá em viver uma vida sem assumir riscos?
Em tempo: Robert Capa morreu com apenas 40 anos, ao pisar numa mina numa área militar.