sábado, 27 de fevereiro de 2010

Apropriado pra estes dias

"O que é uma vida racional? Não existe nenhum critério racional para defini-la. No limite, pode-se perguntar se comer e viver de modo sadio, não correr riscos, nunca ultrapassar a dosagem prescrita significam realmente viver, ou melhor, se a via racional não é uma vida demente. Não é loucura erradicar nossa loucura? A vida comporta um mínimo de desperdício, gratuidade, 'consumação', desrazão. Castoriadis disse: 'O homem é este animal louco cuja loucura inventou a razão." (Edgar Morin)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Memórias Musicais IV

Mas não foi o som das fitas K7, dos LPs e da velha e boa Rádio Ipanema que me trouxe de volta a vontade de tocar numa banda depois do debut na Anjos Rebeldes. Foi a Moenda da Canção e tudo que veio com ela. Nesse festival de palco aberto a todos os ritmos e influências musicais - que eu passei a acompanhar da 6a edição (ano passado foi a 23a edição), graças à Cacá -, onde a riqueza artística convive com a simplicidade da produção e o carinho de um público fiel, onde músicas e apresentações se tornaram inesquecíveis para quem as viu - você viu o Bebeto Alves interpretando Tango do Aterro?, o José Cláudio Machado conquistar a todos com Milonga Abaixo de Mau Tempo, as músicas do Corona, o Tambo do Bando...putz, é muita gente boa pra citar. E os grandes shows trazidos à cidade, tornados possíveis graças à Moenda, como Gilberto Gil, Ivan Lins, João Bosco em duo com Nico Assumpção (apenas o maior baixista que o Brasil já teve). Como você pode assistir a tantos caras bons e músicos também excepcionais e não sentir aquela vontade irresistível de também fazer música? E mais, saindo para os bares depois das noites de apresentação e ver jams as mais improváveis quanto incríveis com esses mesmos músicos e alguns enxertos (dá-lhe Ivan!), naquele ambiente de confraternização-etílica-musical-geral. Não havia como resistir e voltar a tocar era uma obrigação. Mas não fui o único a ser "tocado" pela Moenda. Moleques da cidade, acredito eu, projetaram suas vidas da imagem daquele palco e se tornaram grandes músicos profissionais (Zelito, Tássio e Renatinho, só para citar os mais próximos). Então, no final dos 90 eu fui morar em Novo Hamburgo, onde reencontrei meu colega de colégio, estudante de Odonto e puta guitarrista Jéferson, que me apresentou a um cara que voltava pro Brasil com uma bateria Tama incrível e muita vontade de tocar, e, por fim, depois de algumas tentativas malsucedidas de encontrar um vocal, o Fred apareceu pra ocupar o lugar que era dele. Então nasceu a Tiranossauro Sex que, bom, deixo os detalhes pro próximo post...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Memórias Musicais III

Antes de falar da TSEX, acho legal falar das influências sonoras que me fizeram a cabeça. Quando acabou a Anjos Rebeldes eu devia ter uns 15 anos, e desde os 12 a música já era muito presente na minha vida. Só que, naquela época - é mermão, não esqueça que já tenho trinta e tantos -, conseguir músicas não era um negócio fácil, muito menos descobrir coisas novas. Ou você comprava LPs (quando dava $$$), ou então era aquela coisa de gravar fita k7 da rádio, discos e fitas de amigos. Ou seja, a tão falada pirataria já existia sim e era como uma coleção de figurinhas, em que cada um se exibia com seus sons exclusivos ou difíceis de conseguir. Sem dúvida, a surf music deveu sua divulgação por aqui muito mais às fitas do que aos discos ou rádio. Mas, enfim, quando passei a levar a música a sério era meados dos anos 80 e tive oportunidade de ver surgir a onda pop internacional com bandas como Cure - não, não fui naquele antológico show em POA -, Echo & the Bunnymen, New Order, Smiths e todas daquela safra surf music australiana como Australian Crawl, Hoodoo Gurus, Midnigth Oil, INXS etc. E, principalmente, acompanhar o surgimento do rock brasileiro vindo de Brasília, com bandas como Legião Urbana - Geração Coca-Cola foi foda -, Plebe Rude, Paralamas (a mais querida até hoje), Capital Inicial etc; de São Paulo, com Ultraje a Rigor, Inocentes e Ira!; do Rio com o insuperável Barão Vermelho e, por que não, a pioneira Blitz. Lembro que teve um verão em Tramandaí que várias dessas bandas do então mainstream nacional se apresentaram no ginásio local em shows memoráveis. E não dá pra esquecer das bandas gaúchas que vieram a fincar a bandeira do que virou a ser reconhecido como Rock Gaúcho. O LP Rock Grande do Sul foi uma amostra da força daquilo que tínhamos para mostrar ao mundo com bandas como TNT, De Falla, Engenheiros, Nenhum de Nós, Cascaveletes, Garotos da Rua e tantas outras. Os primeiros shows que vi da cena musical gaúcha foi a Banda Os Eles (alguém lembra?) e Engenheiros do Hawaí na SAT/Tdaí. O rock nacional e regional dos anos 80 teve uma força e uma presença na mídia como nunca teve e jamais terá novamente, com seu ápice no Rock In Rio, colocando nossas bandas ao lado de grandes nomes do rock internacional. Reconheço, assim, que meu gosto musical foi moldado nessa mistura do pop com o rock típicos dos anos 80, ao qual vieram depois a se acrescentar outros gêneros e preferências. Até porque o que é bom sempre acaba um dia - ou evolui, na opinião de alguns -, e tanto o pop classudo dos 80 quanto a boa pegada do rock nacional ficaram pra trás. Veio a música eletrônica (nada contra e pouco a favor) e, por aqui, pior ainda, veio o sertanejo, o pagode, o funk e outras merdas mais. Como eu não podia fazer como o Nelson Motta e mudar pra NY, o negócio foi me adaptar e buscar outras sonoridades e influências. Mas isso é outra história...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Memórias Musicais II


Longe de ser um encontro como o de Jagger e Richards, ou Mcartney e Lennon, mas certamente também uma coisa de destino, eu e o Coringa nos achamos lá pelos nossos 13 anos, quando ele procurava um baixista pra banda que tentava montar e me convidou pra tocar o troço - sim, porque eu não havia sido ainda apresentado a um baixo até então. Ganhei uma grana da mãe pra abandonar a idéia da prancha de surf e comprar o instrumento, um baixo Giannini Sonic bem meia boca. Mas era novo, era meu e naquele tempo a oferta de instrumentos era mesmo muito pequena. Os importados sequer eram vistos por aqui, quanto mais acessíveis de preço. E assim começou a minha relação com o baixo e, principalmente, a ANJOS REBELDES, juntando ainda o Sérgio Valério (baterista) e o André (vocal). Os ensaios logo saíram da sala da casa do Coringa pra uma peça no porão da minha casa, com toda a tralha de equipamentos (cubos, bateria etc) e todo o barulho que um bando de moleques consegue produzir - naquela altura minha mãe já deveria achar melhor eu ser surfista mesmo... E tocávamos o que? Rock´n roll! Com um pé no rockabilly e outro em Ramones. E mais: fazíamos som próprio! Sim, numa época em que a música independente era utopia, aproveitamos a grande onda do rock nacional from Brasília pra criar nossas próprias músicas, bem, ou aquilo que era possível criarmos com nossa pouca experiência e capacidade de composição. E avançamos ao ponto de sair da garagem e encarar o palco. O primeiro show (14 anos!?) foi numa festa anos 60 no clube (CRP) organizada pela galera mais velha do colégio. Fomos todos caracterizados a la Elvis, com jaqueta de couro e brilhantina, tocar para umas 200 pessoas também vestidas de acordo com a época. Tocamos músicas nossas e covers de Banho de Lua e mais alguma coisa sessentona. A sensação de estar no palco fazendo música e contagiando as pessoas, a luz, a fumaça, a magia - depois de vencido o pavor inicial -, enfim, aquilo passaria a fazer parte do que sou e do que me realiza. Depois desse vieram outros shows em clubes, festas de amigos, gincanas de colégio, festival de bandas. Crescemos como banda, mas ainda éramos muito pirralhos pra lidar com aquilo e com nossas vidas. Vieram desentendimentos e senti que não dava mais pra mim. Saí! A Anjos continou algum tempo com outro baixista, mas logo depois acabou também e cada um foi viver sua vida. Olhando agora, não tenho dúvida que poderíamos ter ido muito mais longe, assim como foram o TNT e a Cascaveletes que eram contemporâneos e tinham a mesma idade nossa. Mas não tínhamos quem nos orientasse e não sabíamos o que fazer pra conquistar espaço nesse meio. A música continuou pra mim e pro Coringa, mas com ênfases bem diferentes. Ele realmente possuía o dom - segundo alguns até, não serviria pra mais nada - e foi montar outras bandas, com outros parceiros, em outras cidades e por muitas outras noites, até chegar a ser o músico conceituado que é hoje como sideman da Paula Toller e radicado no Rio. Eu, bem, deixei o baixo um tempo de lado, fui surfar e estudar muito pra exercer outra profissão, sem deixar jamais de ouvir muita música e procurar novos cúmplices, que eu vim a achar um bom tempo depois numa banda tão escrachada quanto boa: a TIRANOSSAURO SEX!

Ah, vai uma foto dos moleques num show em gincana do colégio...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Memórias musicais I

De que adianta um blog se não for também pra registrar memórias que correm o sério risco de ser deletadas da nossa mente pelo vírus do tempo? Então achei interessante - pelo menos pra mim - buscar de onde vem esse minha afinidade pela música. Não que seja um gosto inusitado, afinal muito gostam de música, só que cada um teve sua própria iniciação e motivos pra continuar fascinado pelas ondas sonoras. Como sou ruim de lembrar das coisas, principalmente da infância, o que ainda consigo recuperar é o som do Roberto Carlos tocando pela casa nos meus primeiros anos. Só não sei se eu curtia mais o som ou a capa dos LPs. Mas na verdade a música já mexia comigo e me fazia parar e escutar e sentir uma sensação diferente, uma certa interação de melodia, voz e letra com uma alteração no meu estado de espírito de acordo com o que eu ouvia. Isso ficou mais evidente na adolescência ouvindo - e oscilando - entre Pink Floyd e Clash, por exemplo. E daquela infância entre os discos do Rei de meu pai não tardou a pintar o interesse em tocar violão, comprando revistinhas com as cifras dos hits da época e brigando com os dedos os ritmos até que a coisa começou a ter jeito de música. Só que havia uma distância muito grande entre ouvir e tocar alguma coisinha e se deparar com alguém fazendo música de verdade próximo a você, o que eu só vim a sentir num veraneio em Imbé, com meus 11 ou 12 anos, quando os caras da banda Taranatiriça começaram a ensaiar próximo a minha casa, durante o dia, o que nos permitia - como bons moleques - assistir os ensaios dos caras e sentir a mítica energia que uma banda de rock consegue transmitir. Isso foi foda! Pouco tempo depois, pra evitar que eu comprasse uma prancha de surf, minha mãe propôs-se a me dar um instrumento musical, e, por um desses acasos do destino, o já então guitarrista e também pirralho Coringa me propôs fazermos uma banda de rock, que viria a se chamar Anjos Rebeldes e que será uma outra história...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

RS 40º!!!

Agora nós, gaúchos, sabemos o que é passear pelo Saara sob o sol escaldante do deserto. Essa é a sensação destes dias no Rio Grande. O que leva a pensar o quanto somos dependentes da natureza, embora achemos que não. Um calor desses não é suportável por muito tempo, assim como não é uma forte chuva constante, um frio intenso prolongado. Ao menos conseguimos (ou tentamos) nos adaptar a essas situações. Mas como não há ar condicionados pra todo mundo, o melhor é pensar no que fazer pra conter tamanhas mudanças climáticas, antes que o deserto vire realidade...